TSE aperta Meta e X, mas suposta vantagem a Flávio ainda precisa ser provada

A campanha de Lula vê sinais de tratamento desigual nas redes; o TSE considera que há elementos para investigar, mas ressalta que a abertura da apuração não confirma as acusações.
TSE aperta Meta e X, mas suposta vantagem a Flávio ainda precisa ser provada

TSE aperta Meta e X, mas suposta vantagem a Flávio ainda precisa ser provada
Meta e X terão 24 horas para abrir a caixa-preta da distribuição de conteúdo político às vésperas do segundo turno. A ordem do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, abrange inteligência artificial, anúncios eleitorais, remoções e critérios de alcance; também está prevista uma reunião do presidente do TSE, Nunes Marques, com representantes de Meta, X, TikTok e Kwai.

De um lado, a coligação de Luiz Inácio Lula da Silva sustenta que publicações favoráveis ao presidente tiveram o alcance restringido, enquanto conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro teriam recebido tratamento privilegiado. A cobrança ganhou peso adicional com a previsão de multa diária de R$ 500 mil para cada empresa em caso de descumprimento injustificado.

A campanha cita como exemplo a retirada, pela Meta, de um vídeo do projeto Revelando no qual MC Cabelinho criticava Flávio. A empresa teria baseado a decisão nas regras eleitorais para materiais produzidos ou alterados com inteligência artificial. O grupo de Lula também questiona o Grok, do X, alegando que a ferramenta ofereceu respostas diferentes a perguntas equivalentes sobre os candidatos e gerou conteúdo político sem pedido específico do usuário.

Do outro lado, a decisão do TSE está longe de validar a denúncia. Cueva afirmou que os elementos apresentados “em tese, justificam a instauração da investigação”, mas enfatizou que isso não representa “reconhecimento da veracidade das alegações, da ilicitude das condutas ou da responsabilidade dos investigados”.

O contraste é central: para a coligação governista, há indícios de uma assimetria capaz de afetar a disputa; para a Justiça Eleitoral, existe motivo para apurar — não uma irregularidade já comprovada. As respostas das plataformas poderão definir se o episódio permanece como suspeita de campanha ou avança para um caso de interferência desigual na eleição.

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