Seis mortes sob investigação expõem versões opostas sobre hospital em São Paulo

Famílias suspeitam de infecção hospitalar e dizem haver dezenas de casos, enquanto o Salvalus afirma que os pacientes tinham quadros distintos e que nenhuma origem infecciosa comum foi identificada.
Seis mortes sob investigação expõem versões opostas sobre hospital em São Paulo

Seis mortes sob investigação expõem versões opostas sobre hospital em São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte de seis bebês e crianças atendidos no Hospital e Maternidade Salvalus, da rede Hapvida, na Mooca. O inquérito, conduzido pelo 8º Distrito Policial, prevê depoimentos de profissionais e testemunhas, além da análise integral dos prontuários.

Para as famílias, os seis casos oficialmente investigados podem representar apenas uma fração do problema. A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, representante de três mães, afirma ter conhecimento de ao menos 36 mortes. Segundo ela, algumas crianças passaram por cirurgias com “chance baixíssima de morte”, mas desenvolveram infecção generalizada e morreram.

Há, porém, diferenças até nos números apresentados. Uma apuração situa os 36 casos nos últimos seis meses; outra, em aproximadamente nove meses. Eduarda diz estar em contato com 18 mães e relata que novas famílias continuam procurando orientação. “Esse número pode aumentar. Está aumentando exponencialmente”, afirmou. Ela também levanta a hipótese, ainda não confirmada, de contaminação cruzada por uma bactéria e questiona supostas inconsistências nos prontuários.

O hospital contesta a ideia de uma causa única. Em nota, afirmou que os pacientes tinham condições diferentes e de alta gravidade, incluindo prematuridade extrema, malformações, síndromes genéticas e infecções. A unidade, que diz ter atendido mais de mil crianças neste ano, sustenta que as avaliações realizadas não identificaram uma origem infecciosa comum e adverte que situações clínicas distintas não podem ser agrupadas sem comprovação técnica.

Os documentos disponíveis registram diagnósticos como sepse, pneumonia e choque, mas não comprovam, isoladamente, que infecções tenham sido adquiridas no hospital ou que houve falha médica. É justamente essa distância entre a suspeita das famílias e a defesa da instituição que o inquérito terá de esclarecer.

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