Amoêdo escolhe Lula, mas promete oposição e provoca reação bolsonarista

O fundador do Novo considera Lula a opção menos arriscada diante de Flávio Bolsonaro, embora critique duramente o petista. A escolha repete 2022 e foi atacada por Rodrigo Constantino.
Amoêdo escolhe Lula, mas promete oposição e provoca reação bolsonarista

Amoêdo escolhe Lula, mas promete oposição e provoca reação bolsonarista
João Amoêdo chegou ao segundo turno sem entusiasmo e com um cálculo explícito: entre dois candidatos que rejeita, considera Lula o risco menor. O fundador do Novo afirmou que fará oposição a qualquer vencedor, mas resumiu sua decisão assim: “entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção”.

Não se trata de uma guinada petista. Amoêdo acusa Lula de estimular a polarização, conduzir mal as contas públicas, ampliar gastos com finalidade eleitoral e escolher aliados para o Supremo Tribunal Federal. Também critica a tentativa de conquistar um quarto mandato. Ainda assim, vê Flávio Bolsonaro como uma alternativa mais perigosa, por considerar que lhe faltam “postura, credibilidade e competência”.

A distinção central está menos nos programas e mais no poder que cada candidato poderia acumular. Na avaliação de Amoêdo, Lula exerceria seu último mandato, teria um vice com experiência administrativa e enfrentaria resistência no Senado. Flávio, por outro lado, poderia buscar a reeleição em 2030 e governar com um Congresso mais favorável e aliados em estados importantes. Para o empresário, isso aumentaria o risco de prolongamento da influência política da família Bolsonaro.

A leitura encontrou resistência entre vozes alinhadas ao bolsonarismo. Rodrigo Constantino ridicularizou a longa justificativa e afirmou que Amoêdo acabou “declarando voto uma vez mais em Lula”. A reação ignora a diferença que Amoêdo tenta marcar: seu voto não seria aprovação, mas contenção.

A decisão repete 2022, quando Amoêdo apoiou Lula contra Jair Bolsonaro. Naquele momento, o posicionamento abriu uma crise no Novo, levou à suspensão de sua filiação e antecedeu sua saída do partido. Quatro anos depois, ele mantém a fórmula: voto em Lula, oposição garantida e rejeição ainda maior ao nome Bolsonaro.

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