Pró-governo diz que autonomia da CBV sustenta veto a Tifanny na Superliga

STJD e TJ-RJ restabeleceram o impedimento à atleta, enquanto a defesa ainda pode recorrer à Justiça comum. O caso contrapõe a autonomia esportiva às críticas sobre inclusão e falta de consenso científico.
Pró-governo diz que autonomia da CBV sustenta veto a Tifanny na Superliga

Pró-governo diz que autonomia da CBV sustenta veto a Tifanny na Superliga
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva manteve o veto à participação de Tifanny Abreu na Superliga Feminina, dando respaldo à nova política da Confederação Brasileira de Voleibol. Para o tribunal, a experiência anterior da atleta na competição, seu contrato com o Osasco e a existência de normas internacionais não retiram da CBV o poder de atualizar os critérios de elegibilidade. A decisão ressalta que a autonomia esportiva “não constitui autorização para arbitrariedade”, mas tampouco deve ser esvaziada pela substituição judicial de critérios técnicos considerados legítimos.

Na mesma direção, o TJ-RJ suspendeu a liminar que havia liberado Tifanny. O entendimento foi que ela deveria primeiro esgotar as instâncias da Justiça Desportiva, como prevê o artigo 217 da Constituição. O recurso da jogadora ao STJD foi rejeitado por unanimidade, mas a disputa não terminou: sua defesa pretende buscar outra decisão na Justiça comum. A CBV, por sua vez, afirma que cumpriu a liminar enquanto ela esteve válida e que a política é geral, aplicável a todas as atletas.

Os dois lados partem de prioridades distintas. A confederação sustenta que sua regra — baseada no sexo biológico — alinha o voleibol nacional às diretrizes do COI e da FIVB. Tifanny contrapõe a esse argumento sua história no esporte. “Não quero que minha história seja reduzida a uma discussão”, escreveu, pedindo “humanidade, respeito e responsabilidade”. Grupos LGBTQIA+ e de direitos humanos criticam o endurecimento das normas, enquanto especialistas apontam que ainda não há consenso acadêmico sobre uma eventual vantagem competitiva de atletas trans.

O resultado imediato é claro: Tifanny volta a ficar fora das competições da CBV. A controvérsia jurídica, científica e esportiva, porém, permanece aberta.

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