Pró-governo diz que pedidos de prisão enfraquecem tese de serial killer em São Paulo
Pró-governo diz que pedidos de prisão enfraquecem tese de serial killer em São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo identificou dez suspeitos ligados a quatro mortes violentas registradas entre 5 de setembro e 22 de outubro. A corporação pediu à Justiça a prisão de oito adultos e a apreensão de dois adolescentes, afirmando que esses quatro casos foram elucidados pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O avanço, porém, cobre apenas parte de um quadro mais amplo. Desde setembro, 17 corpos com sinais de violência foram encontrados na capital e na Região Metropolitana: 14 ocorrências são investigadas pelo DHPP, enquanto três ficaram sob responsabilidade de delegacias de Itapecerica da Serra, Diadema e São Bernardo do Campo.
É nessa diferença — quatro casos com suspeitos identificados contra outros ainda em apuração — que se concentra a tensão. Corpos amarrados, esquartejados ou deixados em sacos plásticos alimentaram nas redes sociais a hipótese de um assassino em série. A Secretaria da Segurança Pública contesta essa interpretação e afirma que as ocorrências apresentam “dinâmicas, locais e métodos distintos”.
Para o secretário Osvaldo Nico Gonçalves, “não tem relação entre um e outro e nada indica” a atuação de um serial killer. A chefe do DHPP, Ivalda Aleixo, também destacou que as possíveis motivações variam, incluindo tráfico de drogas, crimes sexuais, vinganças, dívidas e conflitos ligados ao crime organizado.
Assim, polícia e rumores partem dos mesmos sinais de brutalidade, mas chegam a conclusões opostas. Para quem levanta a hipótese de autoria comum, a repetição de certas formas de ocultação chama atenção. Para os investigadores, essas semelhanças isoladas não bastam: cada morte precisa ser examinada separadamente, e os pedidos de prisão representam avanço concreto — não a solução de toda a sequência.
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