PGE aperta o cerco para barrar candidatura de Márcio Canella no Rio

Coberturas de oposição e pró-governo convergem sobre a gravidade do parecer contra Canella, mas destacam aspectos diferentes: uma enfatiza o critério eleitoral; a outra, as suspeitas investigadas pela PF.
PGE aperta o cerco para barrar candidatura de Márcio Canella no Rio

PGE aperta o cerco para barrar candidatura de Márcio Canella no Rio
A Procuradoria-Geral Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que negue o registro de Márcio Canella (União), eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Embora partam de campos editoriais distintos, as duas coberturas apresentam pouca divergência sobre o núcleo do caso: o Ministério Público aponta indícios de vínculos com lideranças de milícias e uma organização criminosa armada.

Na leitura de oposição, o ponto central é jurídico. O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, sustenta que a ausência de condenação criminal não impede o indeferimento do registro, desde que as provas sejam “suficientemente robustas”. Segundo o parecer, há “elementos seguros e convergentes” de infiltração de lideranças milicianas na administração pública, apoio eleitoral à campanha e atuação de Canella como articulador do grupo.

A cobertura pró-governo reforça as mesmas nomeações — entre elas, a mulher de um líder de milícia para um gabinete e duas lideranças regionais para secretarias de Belford Roxo —, mas amplia o foco para a investigação da Polícia Federal. Canella é apontado como possível “patrono político” e “articulador de alto escalão” de uma rede que teria conectado agentes públicos, postos de combustíveis e integrantes do crime organizado.

As duas perspectivas também convergem sobre o peso da Operação Unha e Carne, que levou à prisão preventiva de Canella após a eleição. Segundo as investigações citadas, 96 postos teriam movimentado R$ 7,6 bilhões em seis anos, enquanto 112 empresas tiveram as atividades suspensas.

O contraste, portanto, está menos nos fatos apresentados do que na ênfase. A cobertura de oposição destaca o precedente eleitoral e a possibilidade de barrar uma candidatura sem condenação definitiva. A pró-governo detalha a suposta engrenagem financeira e política investigada. Caberá ao TSE decidir se esse conjunto de indícios é suficiente para reverter o registro já autorizado.

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