Coaf põe sob pressão movimentações milionárias de Flávio Bolsonaro

Relatórios apontam operações muito acima da renda informada pelo senador e questionam um repasse usado na quitação de sua mansão. Os documentos alimentam uma investigação, mas não atribuem crime por si só.
Coaf põe sob pressão movimentações milionárias de Flávio Bolsonaro

Coaf põe sob pressão movimentações milionárias de Flávio Bolsonaro
As coberturas classificadas como pró-governo e de oposição praticamente não divergem nos fatos centrais. Entre janeiro e março de 2024, Flávio Bolsonaro movimentou cerca de R$ 1,3 milhão — R$ 660 mil em créditos e R$ 649 mil em débitos. Para o Coaf, a média das operações foi 7,19 vezes superior ao esperado para a renda informada, configurando um “montante relevante sem respaldo em informações sobre sua capacidade financeira”.

O ponto mais sensível é um pagamento de R$ 520.277 feito pelo escritório Gavioli e Viola Advogados Associados. O dinheiro foi usado para antecipar a quitação do financiamento de uma mansão de R$ 5,97 milhões em Brasília. Contratada em 2021 com prazo de 30 anos, a dívida foi liquidada em aproximadamente três anos, após seis pagamentos extraordinários. “Há suspeitas no valor recebido, pois foi destinado à quitação antecipada de operação de crédito”, registrou o órgão.

As duas abordagens também destacam o contraponto indispensável: relatórios do Coaf sinalizam operações atípicas, mas não provam crimes. Eles servem como subsídio para investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. Neste caso, os documentos integram um inquérito no Supremo Tribunal Federal sobre possíveis vínculos financeiros entre o senador e o advogado Willer Tomaz, no contexto de suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas.

Ao contratar o financiamento, Flávio declarou renda mensal de R$ 56,8 mil, sem incluir ganhos da advocacia. Posteriormente, afirmou à Justiça que exercia a profissão e que o dinheiro empregado no imóvel tinha origem lícita. O sócio do escritório responsável pelo repasse recusou-se a comentar processos e parcerias profissionais. Procurado sobre os relatórios, o senador não se manifestou.

Outro documento menciona movimentação atípica de R$ 337,6 mil em novembro de 2025, incluindo uma transferência ligada a uma arrecadação on-line. O relatório, porém, não esclarece a finalidade nem a origem exata desse crédito. Assim, o contraste não está entre versões incompatíveis, mas entre os alertas financeiros do Coaf e explicações ainda insuficientes para encerrar as dúvidas.

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