Pró-governo diz que multidão na Paulista impulsiona Lula, mas crítico vê sinal de rendição

Lula encerrou a campanha exibindo força popular e confiança na vitória. Enquanto aliados tratam o ato como mobilização histórica, Rodrigo Constantino interpreta uma fala do presidente como reconhecimento de fraqueza.
Pró-governo diz que multidão na Paulista impulsiona Lula, mas crítico vê sinal de rendição

Pró-governo diz que multidão na Paulista impulsiona Lula, mas crítico vê sinal de rendição
Lula encerrou a campanha à reeleição apostando numa imagem de força: uma Avenida Paulista tomada por apoiadores, um cortejo com aliados e símbolos como a bandeira brasileira e a Constituição. Para o presidente, porém, o destaque não estava apenas no tamanho do ato, mas em quem o organizou. “É o povo que está organizando, e não partidos”, afirmou, ao sustentar que a sociedade assumiu o protagonismo no segundo turno.

O discurso governista combina mobilização e confiança. Lula disse estar convencido da vitória sobre Flávio Bolsonaro e apresentou a eleição como uma escolha entre continuidade e retrocesso. Ao mesmo tempo, procurou converter o entusiasmo das ruas em comparecimento às urnas, com apelos dirigidos a indecisos, eleitores que haviam anulado o voto e pessoas que não participaram da primeira votação.

A multidão também trouxe problemas práticos. O veículo de Lula avançou com dificuldade, houve empurra-empurra e ao menos cinco pessoas passaram mal. “Estou preocupado porque tem muito empurra-empurra aqui e tem gente passando mal”, disse o presidente, antes de classificar a passeata como a maior já realizada na Paulista. O encerramento ganhou clima festivo, com jingles e músicas brasileiras, mas sem um discurso prolongado.

Depois, diante de apoiadores reunidos em frente à sua casa, Lula reforçou a necessidade de trabalhar até o fechamento das urnas e declarou que uma eventual vitória pertenceria “ao povo brasileiro”, não apenas aos partidos.

A leitura crítica foi oposta. Rodrigo Constantino reagiu à frase de Lula — “sem povo a gente não ganha as eleições” — com a provocação: “Já entregou os pontos!”. Assim, a mesma ênfase na participação popular foi apresentada pela campanha como combustível para a vitória e, pelo crítico, como uma admissão antecipada de dificuldade.

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