Nunes Marques prega tranquilidade, mas silêncio sobre indígenas marca votação
Nunes Marques prega tranquilidade, mas silêncio sobre indígenas marca votação
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, chegou antes das 8h ao Colégio Perpétuo Socorro, no Lago Sul, em Brasília, para acompanhar a emissão da zerésima e votar. Ao deixar a cabine, resumiu o tom que desejava imprimir ao segundo turno: “A expectativa é de que tudo transcorra em paz e na normalidade”.
As duas coberturas convergem sobre o ritual de abertura, mas escolhem lentes diferentes. Uma enfatiza que a zerésima é um mecanismo obrigatório de segurança e transparência: o relatório registra que a urna não continha votos antes do início da eleição, identifica equipamento, seção, turno e candidaturas e é assinado na presença de fiscais partidários.
A outra reportagem amplia o foco para a conduta do ministro. Nunes Marques evitou responder sobre sua determinação que condicionou à autorização prévia o transporte de indígenas por órgãos públicos no segundo turno — medida contestada pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal. O texto também relembra decisões controversas da reta final da campanha e afirma que integrantes do tribunal identificaram engajamento do presidente da Corte na disputa presidencial.
No sábado, Nunes Marques havia pedido aos eleitores que conferissem possíveis mudanças nos locais de votação e desconfiassem de mensagens de “caráter sensacionalista e acusatório” contra candidatos ou contra a Justiça Eleitoral.
Natural de Teresina, o ministro votou em trânsito na capital federal e, por isso, não participou da escolha para o governo do Distrito Federal. O procedimento ocorreu em uma eleição com mais de 158 milhões de brasileiros aptos a votar na disputa presidencial e em cinco pleitos estaduais. A imagem pública foi de normalidade; o pano de fundo, porém, permaneceu politicamente carregado.
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