Pró-governo diz que adesivos atrasaram ônibus, mas Justiça vê risco ao voto em Salvador

A prefeitura culpa propaganda eleitoral irregular pela retenção de coletivos; TRE, Procon e defensorias destacam que a redução da frota prejudicou o acesso dos eleitores às urnas.
Pró-governo diz que adesivos atrasaram ônibus, mas Justiça vê risco ao voto em Salvador

Pró-governo diz que adesivos atrasaram ônibus, mas Justiça vê risco ao voto em Salvador
A manhã eleitoral em Salvador produziu duas narrativas frontalmente opostas. De um lado, a prefeitura atribuiu a demora na circulação à retirada de adesivos do PT. Do outro, a Justiça Eleitoral tratou a redução da frota como ameaça concreta ao acesso às urnas.

O TRE-BA determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, depois que ao menos 75 ônibus foram impedidos de deixar as garagens. Também ordenou o restabelecimento integral do serviço, sob multa de R$ 1 milhão por hora, considerando o transporte essencial para o exercício do voto. O Procon-BA encontrou veículos parados, mas aptos a operar, enquanto as defensorias relataram queixas de baixa oferta de coletivos na capital e no interior.

O prefeito Bruno Reis apresentou outra explicação. Segundo ele, os ônibus amanheceram com propaganda eleitoral e precisaram ser limpos antes de circular. “A retirada desses adesivos levou ao atraso da operação”, afirmou. Reis negou qualquer ordem para restringir o transporte, disse que o sistema foi normalizado por volta das 10h e classificou a prisão como desproporcional.

Nas redes, apoiadores dessa versão elevaram o tom. Rodrigo Constantino compartilhou o relato de 73 veículos adesivados e perguntou: “Crime eleitoral, não?”. Leandro Ruschel foi além e atribuiu a colocação dos adesivos a apoiadores do PT, embora o próprio prefeito tenha reconhecido não possuir prova direta sobre os responsáveis.

A prefeitura informou que Souza estava em missão oficial em Paris e que retornaria na segunda-feira para prestar esclarecimentos. Sustentou ainda que a frota já havia sido restabelecida e que todos os coletivos acabaram liberados, mesmo com adesivos.

O contraste permanece: a gestão fala em cumprimento da legislação eleitoral e problema pontual; os órgãos de controle enfatizam o efeito prático — eleitores esperando enquanto ônibus permaneciam nas garagens.

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