Pró-governo diz que tentativa de anular eleição esbarra no baixo impacto da votação estendida

Flávio Bolsonaro questiona o resultado após a prorrogação do segundo turno, enquanto integrantes do STF e do TSE sustentam que a medida causou dificuldades, mas não comprometeu a eleição.
Pró-governo diz que tentativa de anular eleição esbarra no baixo impacto da votação estendida

Pró-governo diz que tentativa de anular eleição esbarra no baixo impacto da votação estendida
A prorrogação do segundo turno expôs uma divisão entre autoridades eleitorais, mas não abalou, até agora, a confiança institucional no resultado. Ministros próximos a Cristiano Zanin sustentam que Kassio Nunes Marques demorou a enfrentar os problemas de transporte; no TSE, a avaliação foi de que faltavam dados concretos para alterar o horário em todo o país. Após uma reunião de emergência, Nunes Marques afirmou ter “toda segurança no processo eleitoral”, embora tenha ressalvado que uma extensão “tem que ser pensada, tem que ser calculada e estruturada”.

O ajuste acabou sendo mais estreito que o despacho inicial de Zanin. Em telefonema acompanhado pelo presidente do STF, Edson Fachin, Nunes Marques explicou que urnas já encerradas não poderiam ser reabertas. Zanin concordou em limitar a medida às seções que permaneciam em funcionamento, numa solução referendada pelo presidente do TSE. As campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro haviam pedido mais tempo diante de dificuldades no transporte de eleitores.

Flávio, porém, transformou a turbulência operacional em argumento político e jurídico. Após perder por cerca de 4,4 milhões de votos, disse ser “impossível reconhecer o resultado” e anunciou que pediria a anulação da eleição. Ministros do STF e do TSE ouvidos sob reserva reconhecem que a decisão tardia provocou conturbação, mas avaliam que a contestação não deve prosperar: grande parte das urnas já estava fechada, e a expectativa é de que poucos eleitores tenham votado depois das 17h.

As duas leituras concordam em um ponto: a decisão chegou tarde e exigiu improviso. Divergem no efeito. Para Flávio, a mudança comprometeu as regras; para integrantes dos tribunais, o alcance foi limitado e não alterou a legitimidade do resultado. Técnicos do TSE agora vão comparar os votos registrados após as 17h com os dados do primeiro turno — números que devem definir se a crise teve impacto real ou apenas político.

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