Pró-governo diz que vitória de Lula acende alerta nos mercados
Pró-governo diz que vitória de Lula acende alerta nos mercados
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma reação negativa nos mercados internacionais antes da abertura dos negócios no Brasil. O EWZ, fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, recuava 17,75% no overnight, enquanto um ETF ligado ao Ibovespa caía 14,37% em Tóquio. Em Chicago, o dólar futuro chegou ao equivalente a R$ 5,56 — uma cotação que não representa o dólar comercial brasileiro.
De um lado, os movimentos apontam para uma correção abrupta de expectativas. Parte do mercado trabalhava com uma vitória de Flávio Bolsonaro e antecipava uma agenda econômica mais liberal. “A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base”, afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Do outro, a leitura da própria Suno vai além do susto inicial. Sung prevê uma “correção de rota e de ânimo do mercado”, com possíveis oscilações na Bolsa, no câmbio, nos juros futuros e nos títulos públicos. Mas a casa também projeta crescimento de aproximadamente 1,3% em 2027, acima do esperado em um cenário de vitória de Flávio. O contraponto seria uma inflação mais persistente, menor espaço para cortes da Selic e dólar próximo de R$ 5,40.
Assim, as duas leituras convivem: o resultado eleitoral frustrou apostas e pressionou os ativos no curto prazo, mas não fechou o diagnóstico para os próximos anos. A intensidade de um eventual ajuste fiscal, especialmente diante das sinalizações de Geraldo Alckmin e Dario Durigan, será decisiva.
Sung lembra que o pessimismo posterior à eleição de 2022 perdeu força após a aprovação do novo arcabouço fiscal. Por isso, prefere condicionar o cenário às próximas medidas: “Precisamos acompanhar como o governo vai se organizar para 2027. Esse é o ponto para o qual mais chamamos atenção.”
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