Kassab abre a porta para Lula, mas PSD mantém apoio sob condição
Kassab abre a porta para Lula, mas PSD mantém apoio sob condição
Gilberto Kassab reconheceu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, mas evitou oferecer um cheque em branco. Em nome do PSD, prometeu diálogo institucional e apoio às propostas que conciliem políticas sociais, responsabilidade fiscal e estímulo ao investimento.
Na leitura mais favorável ao novo governo, a nota aproxima o partido de pontos centrais da agenda de Lula. Kassab afirmou que o PSD apoiará iniciativas destinadas a “corrigir as desigualdades sociais, promover o equilíbrio fiscal” e gerar confiança para quem pretende investir no país. Também citou como prioridades o fortalecimento do SUS e os investimentos em educação, ciência e inovação.
Essa convergência, porém, não equivale a uma entrada automática na base governista. O próprio dirigente delimitou o apoio aos “bons projetos” e defendeu uma “relação republicana” com o Executivo — uma fórmula que preserva a autonomia de parlamentares e governadores do PSD.
Pela ótica da oposição, a sinalização é mais pragmática do que entusiasmada. O PSD permaneceu neutro no segundo turno, enquanto lideranças da legenda se dividiram: Ronaldo Caiado apoiou Flávio Bolsonaro, ao passo que Otto Alencar e Eduardo Paes ficaram com Lula. A declaração de Kassab também coincidiu com forte turbulência no mercado, incluindo a paralisação temporária das negociações na Bolsa após queda superior a 15% do Ibovespa.
O Congresso amplia a necessidade dessa negociação. O PL conquistou as maiores bancadas da Câmara e do Senado, criando dificuldades para o governo, embora também precise formar alianças para avançar em medidas de maior alcance.
No essencial, as duas leituras convergem: Kassab abriu um canal com Lula. A diferença está no alcance — para uns, é afinidade programática; para outros, cooperação seletiva diante de um cenário político e econômico adverso.
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