Votos após 17h viram disputa, mas são 129 vezes menores que a vantagem de Lula

Flávio Bolsonaro questiona a prorrogação da votação, enquanto levantamentos indicam que os registros após as 17h foram insuficientes para alterar o resultado. Os dados, porém, não revelam em quem esses eleitores votaram.
Votos após 17h viram disputa, mas são 129 vezes menores que a vantagem de Lula

Votos após 17h viram disputa, mas são 129 vezes menores que a vantagem de Lula
A controvérsia gira em torno de uma diferença gigantesca: levantamentos encontraram entre 34 mil e 35,5 mil votos registrados depois das 17h, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva venceu Flávio Bolsonaro por 4.430.191 votos.

Uma análise de quase todas as seções brasileiras calculou 34.330 registros tardios, equivalentes a apenas 0,03% dos votos examinados. O próprio estudo ressalva que os dados mostram quando o eleitor concluiu a votação — não quando o voto apareceu na apuração — e que a ausência de biometria em parte dos casos “não significa irregularidade”.

Outro levantamento chegou a 34.319 votos entre 17h e 19h: 32.337 na primeira hora e 1.982 na segunda. A margem de Lula foi cerca de 129 vezes maior. Além disso, os arquivos “não identificam o candidato escolhido pelo eleitor” nem permitem saber quantas pessoas votaram exclusivamente graças à prorrogação. As duas campanhas haviam pedido extensão de horário em diferentes localidades, por problemas de transporte ou fortes chuvas.

No campo governista, esses números são apresentados como prova de que a medida não poderia ter alterado o vencedor. Integrantes do TSE ouvidos reservadamente avaliam que uma tentativa de anular o pleito não prosperaria. Ao mesmo tempo, a Procuradoria-Geral Eleitoral defendeu que “o horário de votação fixado por lei deve se manter inalterado”, preservando o direito de quem já estava na fila às 17h.

Flávio Bolsonaro sustenta o oposto. Ele classificou a decisão do ministro Cristiano Zanin como uma mudança da regra “no meio do jogo” e afirmou ser “impossível reconhecer o resultado”. O TSE também rebateu sua alegação de que fiscais do PL teriam sido retirados de uma sala durante a apuração.

Os levantamentos enfraquecem matematicamente a hipótese de reversão do resultado, mas não resolvem toda a disputa jurídica: medem horários, não preferências eleitorais, e ainda não constituem uma auditoria oficial do TSE.

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