TRE-BA revoga prisão, mas mantém suspeita sobre ônibus em Salvador

A ordem contra Pablo Souza perdeu efeito após o fim da votação, mas a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral ainda vão apurar se a redução da frota dificultou o acesso dos eleitores às urnas.
TRE-BA revoga prisão, mas mantém suspeita sobre ônibus em Salvador

TRE-BA revoga prisão, mas mantém suspeita sobre ônibus em Salvador
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia revogou a ordem de prisão em flagrante contra o secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, depois do encerramento do segundo turno das eleições de 2026. Para a oposição, o recuo confirmou que o episódio foi uma “pura encenação”, já que Souza estava fora do país e o Ministério Público Eleitoral não havia solicitado uma medida cautelar.

A perspectiva pró-governo enfatiza outra explicação: a prisão tinha a finalidade imediata de garantir o restabelecimento de 100% da frota durante a votação. Com o fim do pleito, deixou de existir a situação de flagrante que sustentava a ordem. Souza, que estava em missão oficial na França, não chegou a ser detido.

As duas leituras divergem sobre o peso político da decisão, mas convergem num ponto central: o caso não terminou. A Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral deverão investigar se houve redução deliberada da frota, quem determinou a retenção dos veículos e se a operação dificultou o deslocamento dos eleitores.

O prefeito Bruno Reis atribuiu os atrasos à retirada de adesivos eleitorais encontrados nos ônibus e afirmou que houve uma tentativa de criar um problema político para sua gestão. “Quem trouxe problemas hoje? Essa é a pergunta a ser respondida”, declarou. Uma fiscalização da PF encontrou redução de 42,1% da frota em uma empresa, enquanto o Procon contabilizou 944 ônibus parados em garagens de duas operadoras — levantamentos distintos, feitos em momentos e locais diferentes.

Agora, prefeitura, secretaria e concessionárias terão de preservar e entregar registros da operação. A prisão caiu; a disputa sobre responsabilidade, intenção e impacto eleitoral apenas mudou de terreno.

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