Reeleição de Lula derruba Bolsa e faz mercado cobrar resposta fiscal

Ibovespa caiu 13,88%, o dólar avançou mais de 8% e a B3 interrompeu as negociações. As análises divergem no tom, mas apontam a política fiscal como chave para conter a turbulência.
Reeleição de Lula derruba Bolsa e faz mercado cobrar resposta fiscal

Reeleição de Lula derruba Bolsa e faz mercado cobrar resposta fiscal
O primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva terminou em choque: o Ibovespa caiu 13,88%, para perto de 176,5 mil pontos, enquanto o dólar avançou mais de 8% e fechou acima de R$ 5,40. A moeda chegou a superar R$ 5,60, e a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020.

Nas reportagens agrupadas na perspectiva pró-governo, a turbulência aparece sobretudo como uma correção abrupta de posições. Parte dos investidores havia apostado na vitória de Flávio Bolsonaro e precisou desmontar operações depois que as urnas confirmaram Lula. O temor fiscal agravou o movimento: os juros futuros dispararam, pressionando empresas endividadas, varejistas e construtoras. “Isso representa um custo maior para as empresas, o que acaba gerando menos lucro e também uma expectativa de possível recessão a partir de 2027”, afirmou o gestor Juliano de Lara Fernandes.

A segunda leitura do mesmo campo também destaca o desencontro entre apostas e resultado eleitoral, mas condiciona a duração da crise às decisões do governo. Para a estrategista Rebecca Nossig, houve um “movimento generalizado de liquidação na Bolsa”, diante da cautela com as futuras diretrizes econômicas e fiscais. Exportadoras como Suzano, Embraer e Vale, beneficiadas pelo dólar mais alto, escaparam da queda generalizada.

A perspectiva da oposição é mais dura: interpreta o tombo como reação ao risco de uma política fiscal expansionista, capaz de manter inflação e juros elevados. Também ressalta as perdas bilionárias de grandes investidores e prevê volatilidade até que o governo apresente equipe e metas econômicas claras. Para Alexandre Viotto, da EQI, “a confiança precisará ser reconstruída com medidas concretas, e não apenas com discursos”.

O contraste está no enquadramento, não no diagnóstico central. Uns enfatizam a reversão de apostas equivocadas; outros, a desconfiança em Lula. Todos apontam para o mesmo teste: a resposta fiscal do governo decidirá se o susto vira tendência ou apenas um ajuste pós-eleitoral.

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