Oposição diz que Casa Branca transformou oração com Trump em propaganda política

Bispos afirmam que foram à Casa Branca para discutir prioridades católicas, não para apoiar Trump. O governo defende sua proximidade com os fiéis, mas não respondeu diretamente às acusações sobre a divulgação das imagens.
Oposição diz que Casa Branca transformou oração com Trump em propaganda política

Oposição diz que Casa Branca transformou oração com Trump em propaganda política
Uma oração no Salão Oval virou uma disputa sobre limites políticos. Bispos católicos que se reuniram com Donald Trump afirmam que foram convidados pelo Escritório de Fé da Casa Branca para discutir aborto, imigração, liberdade religiosa, educação privada e vistos para integrantes do clero — não para oferecer apoio eleitoral.

O desconforto surgiu depois que a Casa Branca divulgou, sem explicações sobre a conversa, um vídeo do arcebispo de Denver, James Golka, conduzindo uma oração com Trump. O bispo de Des Moines, William Joensen, disse que gostaria de ter sido “mais prudente e menos simples, como aqueles que exploraram nossa reunião para fins políticos partidários”. Já o arcebispo de Milwaukee, Jeffrey Grob, apresentou um pedido público de desculpas pela confusão e afirmou não saber que as imagens seriam publicadas. Segundo outra declaração, os participantes haviam recebido garantias de que nenhuma fotografia seria divulgada.

Os religiosos tentam separar interlocução de endosso. Alguns disseram que aceitariam conversar com políticos de qualquer partido e que rezar por autoridades faz parte da tradição cristã. A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos não participou da organização do encontro. Ao mesmo tempo, Joensen reconheceu que há “muitas coisas” na administração em desacordo com a fé católica — uma ressalva que contrasta com a imagem de alinhamento sugerida pelo vídeo.

A Casa Branca respondeu exaltando Trump, não esclarecendo o uso das imagens. A porta-voz Taylor Rogers declarou que “nunca houve um presidente melhor para os católicos americanos” e citou medidas sobre liberdade religiosa, ativistas antiaborto e direitos parentais. A equipe presidencial, porém, não respondeu diretamente às acusações de exploração partidária feitas por Joensen e Grob.

Assim, os dois lados concordam que o encontro tratou de pautas importantes para católicos, mas divergem sobre seu significado público: para os bispos, diálogo sem adesão; para a Casa Branca, uma oportunidade de destacar afinidades políticas com esse eleitorado.

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