Machado volta para cobrar eleições, mas governo venezuelano impõe sua própria rota
Machado volta para cobrar eleições, mas governo venezuelano impõe sua própria rota
Depois de quase um ano fora da Venezuela e de tentativas frustradas de regressar, María Corina Machado voltou ao país para pressionar o governo interino por um calendário eleitoral e pela libertação de presos políticos. Seu retorno recoloca a principal voz da oposição no centro da disputa, mas também expõe uma divergência fundamental: quem terá lugar nas negociações sobre o futuro político venezuelano.
De um lado, Machado tenta transformar sua presença em pressão direta sobre Caracas. De outro, Delcy Rodríguez apresenta o diálogo como caminho para a estabilidade, mas associa a abertura política ao que chama de compromisso com o país. “Espero que tanto o diálogo quanto o programa de coexistência democrática e paz possam proporcionar um espaço onde todas as vozes possam ser ouvidas”, declarou. Na mesma fala, porém, cobrou “remorso e arrependimento” daqueles que, segundo ela, defenderam sanções e “agressão externa”.
A diferença está menos no discurso genérico a favor da participação e mais em seus limites. Rodríguez afirma querer ouvir todas as correntes, enquanto as negociações apoiadas por Washington avançam com grupos oposicionistas sem incluir o Vente Venezuela, movimento de Machado. As conversas buscam reformular o conselho eleitoral e o tribunal superior antes de eventuais eleições.
Os Estados Unidos sustentam que Machado tem o direito de permanecer no país, mas também elogiam Rodríguez e apoiam esse processo paralelo. Assim, a líder opositora regressa com visibilidade, porém diante de uma mesa de negociação da qual seu grupo continua ausente. O governo fala em coexistência; Machado exige uma definição eleitoral. Entre ambas as posições, permanece sem resposta a questão decisiva: se o diálogo anunciado será realmente aberto ou apenas seletivo.
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