Pró-governo diz que nova legislatura pode travar agenda de Lula e corre para votar pautas decisivas
Pró-governo diz que nova legislatura pode travar agenda de Lula e corre para votar pautas decisivas
Com a posse dos novos parlamentares marcada para 2027, governistas querem transformar os últimos meses de 2026 numa corrida legislativa. A avaliação é que o próximo Congresso poderá impor maior resistência ao Planalto — tanto às promessas da campanha de Lula quanto à influência do governo sobre a Câmara e o Senado.
“Ele tem que fazer coisas que não conseguirá fazer com facilidade na próxima legislatura, tem que cumprir promessas agora. Pilotar o controle das Casas Legislativas”, afirmou um líder da base governista. No topo da lista estão a PEC da Segurança Pública, a aprovação do Orçamento de 2027 e uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado.
A estratégia também passa pela tentativa de manter Hugo Motta e Davi Alcolumbre nas presidências da Câmara e do Senado. O governo poderia ajudar com cargos e emendas; em troca, preservaria interlocutores diante do avanço da direita e de uma possível candidatura de Rogério Marinho ao comando do Senado.
O Centrão compartilha a urgência, mas não necessariamente as prioridades. Seus líderes querem discutir mudanças no sistema eleitoral para conter a perda de espaço para partidos de direita, especialmente o PL. Entre as alternativas estão o distrital misto, o chamado distritão e a volta das coligações proporcionais.
A maioridade penal expõe com mais clareza as diferenças. A proposta avançada na Câmara prevê redução para 16 anos apenas em crimes hediondos, posição defendida por Lula durante a campanha. No Senado, oposicionistas tentaram baixar o limite para 14 anos nesses casos e fixá-lo em 16 para os demais crimes.
Há ainda pressão para abrir uma reforma do Judiciário, com possíveis mandatos para ministros do STF e novas regras para pedidos de impeachment. Assim, governo e Centrão convergem no calendário, mas divergem no destino: o Planalto busca governabilidade e recursos; o bloco partidário, proteção eleitoral e maior influência institucional.
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