Pró-governo diz que novo subsídio ao diesel evitará pressão sobre preços e abastecimento

A prorrogação por 30 dias alivia custos do transporte e do agronegócio, mas mantém aberta a discussão sobre o impacto bilionário da política nas contas públicas.
Pró-governo diz que novo subsídio ao diesel evitará pressão sobre preços e abastecimento

Pró-governo diz que novo subsídio ao diesel evitará pressão sobre preços e abastecimento
O governo Lula deve renovar por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. A justificativa é conter os efeitos da alta internacional do petróleo, preservar as importações e evitar problemas de abastecimento — uma intervenção com reflexos diretos no transporte de cargas, nas fazendas e nos preços ao consumidor.

A defesa da medida parte de uma conta conhecida: cerca de 33% do diesel consumido no Brasil vem do exterior. Com o barril pressionado pelos conflitos no Oriente Médio e chegando a US$ 116,93 na sexta-feira (23), produtores e importadores enfrentam custos maiores. A alta do petróleo, por outro lado, também gera receitas extraordinárias que o Executivo pretende usar para financiar o benefício.

A prorrogação mantém o valor básico, sem ampliá-lo. O impacto deve ficar próximo dos R$ 10,5 bilhões estimados para os 30 dias anteriores. Já o adicional de R$ 1,40 por litro concedido aos importadores — que eleva a ajuda total nessas operações a R$ 3,52 — não tem nova extensão automática prevista.

Para o agronegócio, o subsídio é especialmente relevante. Somente as máquinas dentro das propriedades rurais consomem 11% de todo o diesel usado no país; quando o frete entra na conta, a dependência é ainda maior. A valorização do dólar após a reeleição de Lula também encarece o combustível importado, reduzindo o alívio que uma eventual queda do petróleo poderia proporcionar.

É justamente aí que surge o contraste. Enquanto governo e produtores enxergam a subvenção como um amortecedor necessário, especialistas apontam o peso acumulado de medidas emergenciais. “Ações como o subsídio aos combustíveis e a Medida Provisória 1376, da renegociação das dívidas rurais, dificultam a questão fiscal”, afirmou o economista Rogério Boueri. A renovação compra tempo para o abastecimento, mas transfere a pressão para o Orçamento.

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