Ônibus somem no dia da eleição, e PF apura se eleitores foram barrados em Salvador
Ônibus somem no dia da eleição, e PF apura se eleitores foram barrados em Salvador
A versão oficial e os números da operação contam histórias diferentes. O prefeito Bruno Reis afirmou que o serviço foi normalizado às 10h30 e atribuiu os atrasos à retirada de adesivos eleitorais encontrados nos coletivos. O Procon-BA, porém, informou que pelo menos 908 dos 1.800 ônibus da cidade permaneceram nas garagens; a prefeitura não detalhou quantos veículos efetivamente circularam.
É nesse contraste que entra a Polícia Federal. A corporação apura possíveis crimes como impedir ou dificultar o exercício do voto e descumprir ordem da Justiça Eleitoral. Uma fonte classificada como de oposição descreve diretamente o episódio como “boicote de ônibus em Salvador no segundo turno”, embora o material fornecido não apresente detalhes adicionais ou provas dessa interpretação.
Nas ruas, a reação foi prática. Voluntários organizaram caronas por redes sociais, aplicativos e pelo site SOS Salvador Caronas Solidárias, que estima ter levado ao menos 5.000 pessoas às zonas eleitorais. A orientação era não perguntar o voto dos passageiros nem usar propaganda partidária. Salvador terminou o segundo turno com 85.476 votantes a mais, e a abstenção caiu de 20,14% para 15,77%. “Não vejo probabilidade alguma de dizer que houve um crime eleitoral porque um cidadão […] ajudou outro cidadão a exercer o direito sagrado dele de votar”, afirmou o advogado Sérgio Augusto Pereira de Souza.
A investigação também chega a um ambiente de forte desconfiança política. Em um caso separado, Flávio Bolsonaro disse ter sido intimado a entregar os passaportes e chamou a corporação de “Polícia Federal do Lula”; segundo a reportagem, ele nega irregularidades nos dois inquéritos citados. Nas redes, Leandro Ruschel classificou a retenção como “Venezuelando rápido”. Rodrigo Constantino foi além: “regime quer proibir oposição”.
Essas críticas não demonstram qualquer ligação com a redução dos ônibus. Revelam, contudo, o terreno politicamente carregado no qual a PF terá de esclarecer se Salvador enfrentou desorganização administrativa — ou uma tentativa deliberada de restringir o acesso às urnas.
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