Machado volta à Venezuela, mas seu partido segue fora da negociação

O retorno da líder opositora expõe o paradoxo da transição venezuelana: governo e oposição falam em eleições e participação, enquanto o movimento de Machado permanece excluído das conversas.
Machado volta à Venezuela, mas seu partido segue fora da negociação

Machado volta à Venezuela, mas seu partido segue fora da negociação
María Corina Machado está novamente na Venezuela, mas ainda não à mesa onde o futuro político do país é negociado. Depois de quase um ano no exterior e de várias tentativas frustradas de regressar, a líder opositora anunciou sua chegada no domingo: “Estou aqui, com vocês”. Segundo a representação diplomática dos Estados Unidos, as negociações conduzidas por Washington também permitiram a libertação de centenas de presos políticos e o retorno de opositores exilados. Machado, porém, defende eleições presidenciais até julho de 2027, e seu partido, o Vente Venezuela, permanece fora das conversas.

Do outro lado, a presidente interina Delcy Rodríguez apresenta o processo como um caminho para a convivência democrática. Ela disse esperar que o diálogo ofereça “um espaço onde todas as vozes possam ser ouvidas”, mas condicionou essa abertura a uma crítica direta aos opositores que apoiaram sanções e pressão internacional, cobrando deles “remorso e arrependimento”.

As duas posições convergem num ponto: tanto Machado quanto Rodríguez tratam uma nova eleição como parte do horizonte político. A divergência está em quem define as regras, quem participa da negociação e quando os venezuelanos voltarão às urnas.

Washington apoia as tratativas entre o governo interino e grupos oposicionistas, além de reconhecer o direito de Machado de permanecer no país. Ainda assim, o formato atual exclui justamente seu movimento. As discussões buscam reformular o conselho eleitoral e o tribunal superior antes de uma eventual votação, mas não há data acordada.

O retorno de Machado, portanto, é uma vitória política e simbólica, não uma entrada automática no processo. Enquanto Delcy fala em inclusão e a oposição pressiona por um calendário, a principal disputa continua intacta: transformar a promessa de participação em regras aceitas também por quem hoje está do lado de fora.

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