Pró-governo diz que Milei rejeita gesto a Lula, mas preserva comércio com o Brasil
Pró-governo diz que Milei rejeita gesto a Lula, mas preserva comércio com o Brasil
O governo de Javier Milei escolheu uma fórmula fria para reagir à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva: reconhece o resultado, mas não oferece felicitações. “Tomamos nota do resultado eleitoral do Brasil”, declarou o porta-voz Adrián Ravier, acrescentando que o presidente argentino “não é um hipócrita” e mantém diferenças ideológicas reais com Lula.
A Casa Rosada sustenta que se trata de reciprocidade. Segundo Ravier, Lula não cumprimentou Milei pessoalmente após a eleição argentina de 2023. O brasileiro, porém, publicou na ocasião uma mensagem desejando “boa sorte e êxito ao novo governo” e afirmou que o Brasil continuaria disponível para trabalhar com os argentinos. A mensagem não citava Milei nominalmente.
O contraste regional é evidente. Milei foi o único líder sul-americano a não parabenizar Lula, enquanto presidentes de diferentes campos políticos reconheceram o resultado. Alguns deles, embora ideologicamente distantes do brasileiro, enfatizaram integração, desafios compartilhados e continuidade da cooperação.
Buenos Aires tenta, ao mesmo tempo, separar o conflito político dos interesses econômicos. Ravier afirmou que brasileiros e argentinos são “dois povos irmãos” e que comércio, diplomacia e Mercosul não deveriam ser afetados. A cautela tem peso concreto: o Brasil foi, em 2025, o principal destino das exportações argentinas e a maior origem de suas importações.
Assim, os dois governos exibem leituras opostas sobre o gesto diplomático, mas evitam anunciar uma ruptura. Milei trata o silêncio como franqueza; Lula já havia optado por uma saudação institucional, sem personalizar o vencedor. Em paralelo, a Argentina também negou rumores de que Flávio Bolsonaro tivesse solicitado asilo: “Não há nenhum pedido de asilo”, afirmou Ravier.
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