Viagem de Flávio aos EUA vira batalha entre suspeita de fuga e denúncia de perseguição
Viagem de Flávio aos EUA vira batalha entre suspeita de fuga e denúncia de perseguição
A saída de Flávio Bolsonaro rumo aos Estados Unidos abriu duas narrativas frontalmente opostas. Para setores da oposição, a proximidade entre a derrota eleitoral e a ordem do ministro Alexandre de Moraes para entrega dos passaportes alimenta suspeitas de perseguição política. Juristas citados por essa corrente também questionam a forma da intimação e os fundamentos usados para restringir a liberdade do senador.
Nas redes sociais, a reação foi ainda mais dura. Enio Viterbo argumentou que “uma cautelar demanda provas de uma intenção do suspeito”, contestando se havia indícios prévios suficientes para justificar a retenção dos documentos. Rodrigo Constantino resumiu o episódio em três palavras — “O Brasil acabou” — ao compartilhar a informação de que Flávio estaria a caminho dos EUA.
A leitura apoiada nas apurações policiais segue na direção contrária. Segundo o relato pró-governo, a PF investiga se Flávio utilizou um Cessna pertencente a uma empresa controlada pelo advogado Willer Tomaz, também investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O avião deixou Brasília e pousou em San Fernando, perto de Buenos Aires, pouco antes do fim do prazo para a entrega dos passaportes.
Essa linha sustenta que a Argentina teria servido de escala para a viagem aos Estados Unidos. O texto também afirma que Flávio havia dito que obedeceria à ordem judicial e não pretendia deixar o Brasil. Ao autorizar a apreensão dos documentos, Moraes teria acolhido a avaliação da PF sobre um “risco concreto” de fuga, considerando ainda o poder econômico dos investigados e a ida anterior de Willer aos EUA.
O contraste é direto: a oposição vê uma medida excepcional com possível carga política; a investigação apresenta a própria viagem como elemento que reforça a cautelar. O ponto ainda sem resposta definitiva é como Flávio deixou o país — e se o jato ligado a Willer foi, de fato, usado no trajeto.
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