Oposição diz que racismo dentro de paróquias expõe abismo entre fé e prática nos EUA

Pesquisa com 2.401 católicos mostra que a discriminação atinge grupos raciais de forma desigual e alcança paróquias e escolas religiosas, apesar da ampla condenação do racismo entre os fiéis.
Oposição diz que racismo dentro de paróquias expõe abismo entre fé e prática nos EUA

Oposição diz que racismo dentro de paróquias expõe abismo entre fé e prática nos EUA
Uma pesquisa do Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado (CARA), ligado à Universidade Georgetown, revela uma tensão incômoda na Igreja Católica dos Estados Unidos: 39% dos católicos adultos dizem já ter enfrentado discriminação racial, e 10% relatam episódios dentro de suas próprias comunidades paroquiais.

Os números, porém, escondem diferenças profundas. Entre católicos indígenas, 75% afirmaram ter sofrido discriminação ao longo da vida; 15% citaram as paróquias e 23%, a educação católica. Entre os negros, 66% relataram discriminação, enquanto 26% disseram tê-la vivido tanto nas paróquias quanto em instituições católicas de ensino. Hispânicos e católicos asiáticos, das ilhas do Pacífico ou havaianos nativos registraram 54%; entre brancos não hispânicos, o índice foi de 29%.

A percepção também muda conforme o grupo. Católicos negros são os mais propensos a identificar forte presença de racismo implícito — associado a barreiras em moradia, educação e emprego — e explícito, como ofensas ou recusa de serviços. Os brancos são os menos propensos a enxergar essas formas de discriminação em suas comunidades.

Do outro lado desse contraste está uma concordância ampla com a doutrina: 75% consideram pecado excluir ou maltratar alguém por sua raça ou etnia, e 73% veem como pecado de omissão o silêncio diante da injustiça racial. Para 67%, superar o problema exige enfrentar políticas e barreiras institucionais que preservam desigualdades.

Ali Mumbach, assistente de pesquisa do CARA, resumiu a distância entre princípio e cotidiano: “Os católicos adultos geralmente concordam com os ensinamentos da Igreja de que o racismo é um pecado”. Mas, acrescentou, “a realidade de viver o antirracismo dentro da Igreja parece ser uma história diferente”.

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