Trump abre as portas para Flávio, enquanto Lula transforma a viagem em alvo político

Os EUA prometem vistos ao senador e à família, mas a saída após uma ordem do STF divide narrativas: aliados falam em perseguição; Lula aponta fuga e falta de transparência.
Trump abre as portas para Flávio, enquanto Lula transforma a viagem em alvo político

Trump abre as portas para Flávio, enquanto Lula transforma a viagem em alvo político
Donald Trump não apenas sinalizou apoio à entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos: também voltou a questionar a eleição brasileira, na qual o senador foi derrotado. “Eu aprovaria. Acho que eles são boas pessoas. A eleição foi muito estranha”, declarou. O Departamento de Estado informou que concederá vistos a Flávio e à família.

A leitura de Lula é frontalmente oposta. O presidente classificou a viagem como “vergonhosa” e comparou a conduta do adversário à própria decisão de se apresentar à Polícia Federal durante a Lava Jato. “Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa”, afirmou.

Já os defensores de Flávio apresentam a saída como reação a uma ofensiva judicial. Uma reportagem simpática ao senador descreveu a ordem para entrega dos passaportes como “o início da perseguição” e sustentou que ele deixou o país “sem outra alternativa”. Nas redes, Allan dos Santos reforçou essa versão, dizendo que Trump aprovou a viagem depois de uma tentativa de “impedir” o deslocamento do senador. Rodrigo Constantino, por sua vez, respondeu à crítica de Lula com uma provocação sobre o filho do presidente: “Tipo o Lulinha?”.

O embate político, porém, corre em paralelo à questão jurídica. Flávio não entregou os passaportes no prazo determinado por Alexandre de Moraes e é investigado por suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro e ao financiamento do filme Dark Horse. Ele nega irregularidades. Embora deputados petistas tenham pedido sua prisão preventiva e inclusão na lista da Interpol, uma eventual prisão dependeria de nova decisão judicial e não seria automática.

Assim, Washington oferece acolhimento onde Brasília cobra explicações: para Trump e aliados de Flávio, trata-se de proteger uma figura política; para Lula e seus apoiadores, a viagem expõe resistência ao cumprimento de decisões judiciais.

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