Pró-governo diz que Alcolumbre pode trocar perdão a Bolsonaro por votos no Senado

Aliados relatam uma articulação para obter apoio conservador à reeleição de Alcolumbre e, ao mesmo tempo, conter pedidos de impeachment contra ministros do STF.
Pró-governo diz que Alcolumbre pode trocar perdão a Bolsonaro por votos no Senado

Pró-governo diz que Alcolumbre pode trocar perdão a Bolsonaro por votos no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avalia defender um indulto humanitário a Jair Bolsonaro junto ao presidente Lula. Segundo aliados, se o Planalto rejeitar a medida, a alternativa seria aprovar uma anistia no Congresso. A articulação é apresentada como uma tentativa de envolver os Três Poderes em uma “pacificação do país”, mas também teria uma contrapartida eleitoral: votos conservadores para manter Alcolumbre no comando da Casa por mais dois anos.

O desenho procura entregar algo à direita sem atender a todas as suas demandas. Em troca do perdão penal a Bolsonaro, Alcolumbre esperaria que a oposição abandonasse a pressão pelo impeachment de ministros do STF, especialmente Alexandre de Moraes, e passasse a discutir uma reforma mais ampla do Judiciário. Embora 49 dos 81 senadores da nova legislatura defendam afastamentos, seriam necessários 54 votos.

Há também uma diferença decisiva entre os caminhos cogitados. O indulto dependeria exclusivamente de Lula; a anistia exigiria aprovação da Câmara e do Senado, além de entendimento prévio com o governo para evitar veto ou nova crise institucional. Aliados querem limitar um eventual texto aos “efeitos […] apenas sobre a parte penal”, retirando Bolsonaro da prisão domiciliar sem reverter sua inelegibilidade, hoje prevista até 2060.

A chamada pacificação, portanto, combina distensão institucional e cálculo político. Alcolumbre busca reunir esquerda, centro e dissidentes da centro-direita, contando ainda com o voto secreto. Do outro lado, Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) apostam na força da nova bancada conservadora para impedir sua recondução. O perdão a Bolsonaro surge como a possível ponte — e também como o ponto mais explosivo dessa disputa.

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