Perdão a Bolsonaro vira moeda na disputa pelo comando do Senado

Alcolumbre avalia indulto ou anistia para atrair votos conservadores, enquanto tenta conter ofensivas contra ministros do STF. A articulação é vendida como pacificação, mas também expõe uma negociação eleitoral de alto risco.
Perdão a Bolsonaro vira moeda na disputa pelo comando do Senado

Perdão a Bolsonaro vira moeda na disputa pelo comando do Senado
Davi Alcolumbre tenta costurar uma maioria ampla para continuar na presidência do Senado a partir de fevereiro de 2027. No centro da articulação estaria uma proposta explosiva: buscar um indulto presidencial ou, se isso fracassar, aprovar uma anistia penal a Jair Bolsonaro em troca do apoio de senadores conservadores.

Na perspectiva da oposição, o movimento tem sobretudo caráter eleitoral. Embora Alcolumbre diga a interlocutores calcular ao menos 48 votos — acima dos 41 necessários —, enfrenta possíveis candidaturas de Rogério Marinho e Tereza Cristina. O acordo permitiria a saída de Bolsonaro da prisão, mas seria desenhado para não devolver seus direitos políticos. Em contrapartida, a direita reduziria a pressão pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, especialmente Alexandre de Moraes. Ainda não houve anúncio oficial da proposta por Alcolumbre ou pelo governo Lula.

Essa desconfiança também aparece nas redes. Enio Viterbo afirmou que Alcolumbre “já está prometendo pautas para tentar obter votos da direita” e mencionou tanto uma PEC sobre mandatos no STF quanto “indulto ou anistia para Bolsonaro”. A crítica sugere que as concessões colocariam em dúvida a segurança da maioria anunciada pelo senador.

A cobertura pró-governo descreve a mesma operação por outro ângulo: uma tentativa de “pacificação do país” e de proteção institucional do Supremo diante da nova composição do Senado. O primeiro caminho seria convencer Lula a conceder um indulto humanitário; o plano alternativo passaria por uma lei de anistia previamente negociada para evitar veto presidencial e nova crise entre os Poderes.

As duas leituras convergem no essencial: o destino penal de Bolsonaro tornou-se peça da eleição interna do Senado. Divergem sobre o significado do arranjo — barganha por votos ou saída pragmática para conter o conflito institucional. Qualquer solução, porém, dependerá de Lula ou do Congresso e ainda poderá enfrentar questionamentos no Judiciário.

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