Pró-governo diz que listas de boicote transformam o voto em alvo
Pró-governo diz que listas de boicote transformam o voto em alvo
A disputa eleitoral saiu das urnas e chegou ao balcão. Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, apoiadores de Flávio Bolsonaro passaram a divulgar listas de empresas e profissionais supostamente ligados ao petista — de pequenos comércios a grandes marcas, como Itaú e Ipiranga. Para os organizadores, a pressão serviria para mostrar “como é dolorido ver empresas fechando, falindo ou indo embora do Brasil”.
A defesa do movimento também apareceu de forma direta nas redes. “Boicotem petistas!!!”, publicou o comentarista Rodrigo Constantino. A lógica é clara: transformar a escolha política em critério de consumo. Do outro lado, empresários dizem que essa fronteira rapidamente se converte em intimidação.
As listas circularam em capitais e cidades do interior, acompanhadas, segundo comerciantes, de mensagens hostis, ameaças e promessas de abandono de estabelecimentos. Alguns afirmam ter sido incluídos mesmo sem declarar voto. Alexandre Martins Fontes, dono da livraria Martins Fontes, defendeu o direito de se posicionar: “Eu respeito totalmente a decisão dos nossos clientes de votarem em quem eles quiserem, como eu gostaria que eles respeitassem a nossa decisão”. Já a empresária Paula Ramos resumiu o impacto: “É muito triste você ver seu nome numa lista como se fôssemos criminosos”.
A reação política elevou o tom. A deputada federal eleita Ana Elisa afirmou que a campanha começou com “uma listinha de boicote” e avançou para relatos envolvendo médicos e pacientes. Ela comparou o cerco econômico a práticas históricas de perseguição e cobrou responsabilização: “Pessoas foram demitidas, comércios estão sendo boicotados e isso não pode acontecer”.
Enquanto os promotores do boicote reivindicam liberdade de escolha econômica, os alvos apontam discriminação política e risco concreto para empregos. A Justiça do Trabalho já proibiu incentivo à perseguição de trabalhadores, e o Ministério Público do Trabalho recebeu centenas de denúncias de assédio eleitoral.
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