PF aponta fraude bilionária no Caso Master, mas defesa diz que indiciamento atropelou as provas
PF aponta fraude bilionária no Caso Master, mas defesa diz que indiciamento atropelou as provas
A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e outras 13 pessoas em um relatório de 703 páginas. No centro do caso estão R$ 12,2 bilhões pagos pelo banco público por carteiras de crédito negociadas entre dezembro de 2024 e abril de 2025.
Na versão dos investigadores, os créditos não existiam como apresentados. O Master teria inicialmente informado que os ativos eram próprios, antes de atribuir sua origem a associações baianas e, posteriormente, à Tirreno — empresa que, segundo a perícia, não teria estrutura financeira para operações bilionárias. A PF afirma que dirigentes das duas instituições agiram “em conluio” e não comprovaram a existência dos créditos negociados. Vorcaro e Costa são apontados como participantes das principais decisões e líderes da suposta organização.
A defesa de Vorcaro rebate o relatório de ponta a ponta. Em nota, classificou o indiciamento como um “ato açodado e afoito” e resumiu sua crítica numa frase: “Indicia-se primeiro para investigar depois”. Os advogados alegam que perícias, análises de materiais apreendidos e depoimentos relevantes ainda não foram concluídos — argumento reforçado, segundo eles, pelo pedido da própria PF por mais 60 dias de investigação.
As versões também divergem sobre o impacto para o BRB. A investigação suspeita de carteiras inexistentes; a defesa afirma que a operação com ativos da Tirreno não foi concluída, que houve substituição por outros créditos e que o resultado teria sido positivo para o banco público. Sustenta ainda que nenhuma perícia oficial demonstrou prejuízo ou rastreou recursos que comprovassem lavagem de dinheiro.
Apesar do choque frontal, há um ponto comum: o caso permanece aberto. Indiciamento não equivale a condenação. Após o fim das diligências, caberá ao Ministério Público decidir entre denúncia, arquivamento ou novas apurações; eventual acusação ainda dependerá da análise do STF.
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