Motta acelera reforma eleitoral enquanto cresce disputa sobre quem ganha com as novas regras

A Câmara articula o voto distrital misto para 2034 e prepara normas para campanhas nas redes. Enquanto uma leitura aponta reação ao avanço do PL, outra destaca o apoio buscado tanto na direita quanto na esquerda.
Motta acelera reforma eleitoral enquanto cresce disputa sobre quem ganha com as novas regras

Motta acelera reforma eleitoral enquanto cresce disputa sobre quem ganha com as novas regras
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar ainda em 2026 uma PEC para implantar o voto distrital misto, após um período de transição, a partir de 2034. Pelo modelo, o eleitor teria dois votos: um para o candidato de seu distrito e outro para um partido. Metade das cadeiras seria definida localmente; a outra metade, por listas partidárias destinadas a preservar a proporcionalidade.

A disputa começa na interpretação política. Uma das leituras apresenta a reforma como reação ao avanço do PL, que conquistou as maiores bancadas eleitas para Câmara e Senado. O novo sistema reduziria o impacto dos grandes “puxadores de votos” e poderia favorecer partidos com estruturas regionais consolidadas. Motta diz que há pressa: “Chegou a hora de o Brasil enfrentar este tema”.

Já outro relato enfatiza uma articulação mais ampla, não limitada ao centrão. Motta procura apoio de legendas da esquerda e da direita, entre elas PT, PCdoB, PV, PSOL, PL e Novo. Nessa perspectiva, a PEC daria mais segurança jurídica e legitimidade a uma mudança profunda na escolha de deputados estaduais, federais e vereadores.

O segundo front é a propaganda eleitoral digital. Motta criou um grupo de trabalho, com um representante de cada partido e prazo de 15 dias para apresentar mudanças no Código Eleitoral. A proposta é aproximar as normas da internet daquelas já aplicadas a material impresso, rádio e televisão. “A ideia não é tolher absolutamente ninguém, não é censurar absolutamente ninguém”, afirmou o deputado.

Também aqui as ênfases divergem. De um lado, a iniciativa é defendida como garantia de “paridade de armas” entre candidatos; de outro, surge em meio a denúncias de favorecimento algorítmico e à forte presença digital de nomes do PL. O consenso está apenas no calendário: Motta quer fechar as duas mudanças ainda neste ano. A batalha real será definir se elas equilibram a disputa — ou redesenham quem parte na frente.

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