ONU volta a condenar embargo a Cuba, mas apoio cai ao menor nível em três décadas
ONU volta a condenar embargo a Cuba, mas apoio cai ao menor nível em três décadas
A Assembleia-Geral da ONU voltou a pedir o fim do embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba. A resolução recebeu 130 votos favoráveis — uma maioria ampla e, para Havana, mais uma demonstração de que Washington permanece isolado nessa disputa.
Mas os mesmos números contam uma história menos confortável para Cuba. Houve 17 votos contrários e 25 abstenções; no ano anterior, o placar havia sido de 165 a favor, sete contra e 12 abstenções. A perda de 35 apoios marcou a menor adesão à resolução em três décadas e deu aos Estados Unidos um resultado político para celebrar.
Os dois lados também divergem sobre a origem da crise cubana. O governo da ilha sustenta que as restrições dificultam transações internacionais e agravam a escassez. Países como Índia e Vietnã defenderam o encerramento das medidas, enquanto representantes africanos reiteraram apoio a Havana. Washington, por sua vez, argumenta que o governo cubano usa o embargo para justificar problemas causados por suas políticas econômicas e pela repressão política.
A ofensiva diplomática americana produziu mudanças visíveis: Argentina, Paraguai, Colômbia, Equador e Costa Rica votaram contra a resolução, enquanto Alemanha, Itália e Coreia do Sul deixaram de apoiá-la. “A diplomacia leva tempo, mas agora que tivemos uma triplicação no número de países que mudaram de posição, esperamos que esse movimento continue crescendo”, afirmou o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz.
O Brasil manteve o voto favorável. O embaixador Sérgio Danese argumentou que permissões formais para ajuda humanitária não garantem sua entrega: “Na prática, a autorização para entregar assistência não significa necessariamente que essa assistência chegue a quem precisa”.
A resolução, apresentada anualmente desde 1992, não é vinculante. Cuba venceu novamente no plenário — mas Washington saiu da votação com sinais claros de que reduziu a margem dessa vitória.
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