PF aponta fraude bilionária no Master, mas defesas contestam provas

Investigadores atribuem a 15 pessoas um esquema com R$ 17,5 bilhões em créditos, enquanto Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa negam fraude, propina e prejuízo ao BRB.
PF aponta fraude bilionária no Master, mas defesas contestam provas

PF aponta fraude bilionária no Master, mas defesas contestam provas
A Polícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, e outras 13 pessoas por suspeitas de crimes contra o sistema financeiro. No centro do inquérito estão R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito negociadas entre as instituições.

Uma das abordagens do caso destaca a suspeita de corrupção. Segundo a PF, Vorcaro teria exercido posição de comando e oferecido seis imóveis, avaliados em R$ 146,6 milhões, para influenciar Costa a favorecer os interesses do Master. A defesa do ex-banqueiro chama o indiciamento de “um ato açodado e afoito”, enquanto os advogados de Costa classificam a tese da propina como “fantasiosa”.

Outra cobertura concentra-se na mecânica da suposta fraude. A investigação afirma que planilhas de Excel foram usadas para “simular” empréstimos consignados sem existência real. Também aponta que o BRB continuou realizando pagamentos apesar de inconsistências técnicas e alertas de risco: após a primeira extrapolação de um indicador prudencial, teriam ocorrido 42 repasses ao Master, num total de R$ 7,417 bilhões.

As duas perspectivas convergem no tamanho da operação e na responsabilidade atribuída pela PF à cúpula dos bancos, mas diferem na ênfase: uma ressalta a suposta vantagem indevida; a outra detalha falhas de controle, ativos sem lastro e possível fabricação retroativa de documentos.

As defesas rejeitam essa leitura. Vorcaro afirma que as carteiras questionadas foram substituídas, que o negócio não causou prejuízo ao BRB e que faltam provas técnicas de fraude ou lavagem de dinheiro. Costa sustenta que desconhecia irregularidades, ajudou a identificá-las e atuou para interromper as compras. O relatório parcial foi enviado ao STF, e a PF pediu mais 60 dias para concluir perícias e finalizar a investigação. Caberá posteriormente à Procuradoria-Geral da República avaliar se há base para denúncia.

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