Milei ajudou Flávio a chegar aos EUA? Congresso argentino exige respostas

Relatos de apoio oficial à passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina colocaram Milei sob pressão. Parlamentares querem esclarecer o uso da máquina pública, enquanto autoridades migratórias dizem que a entrada ocorreu dentro da lei.
Milei ajudou Flávio a chegar aos EUA? Congresso argentino exige respostas

Milei ajudou Flávio a chegar aos EUA? Congresso argentino exige respostas
A passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina, antes de sua viagem aos Estados Unidos, transformou-se em um teste político para Javier Milei. Segundo reportagem sobre o caso, a Secretaria de Inteligência, o Ministério da Segurança e a Chancelaria argentina teriam participado da operação, com escolta até o aeroporto, veículo de placa diplomática e monitoramento da logística do voo particular.

A mesma apuração afirma que assessores próximos de Milei supervisionaram a movimentação. O presidente argentino não se pronunciou, mas aliados defenderam o senador e criticaram o que classificam como “uso político do Judiciário brasileiro”. Flávio, investigado por suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas, nega as acusações. A Polícia Federal brasileira, por sua vez, ressaltou que a ida aos Estados Unidos não caracteriza automaticamente fuga nem justificaria, sozinha, uma prisão imediata.

No Congresso argentino, a leitura é bem diferente. Deputados de vários blocos acusaram o Executivo de facilitar o deslocamento do candidato derrotado e exigiram explicações do chefe de gabinete, Diego Santilli, da ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, e do chanceler Pablo Quirno. Também cobraram que Milei reconheça formalmente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e restabeleça o diálogo bilateral “no mais alto nível”.

Há, contudo, uma distinção central entre a legalidade da travessia e o eventual apoio político. A Direção Nacional de Migrações confirmou que Flávio, a esposa e as duas filhas cruzaram a fronteira por Puerto Iguazú com documentos válidos, sem impedimentos para entrar no país e sem incidentes na fiscalização. Isso responde à questão migratória, mas não encerra a controvérsia sobre recursos públicos.

O embate, portanto, não é apenas sobre como Flávio entrou na Argentina. É sobre se o governo Milei foi um espectador institucional — ou se usou o Estado para abrir caminho a um aliado estrangeiro.

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