Pró-governo diz que Petrobras transforma pré-sal em recordes, mas preço do diesel acende alerta

Novas plataformas e refinarias perto do limite elevaram a produção e as exportações da Petrobras. O avanço reduz importações, mas a defasagem do diesel ameaça pressionar as contas da estatal.
Pró-governo diz que Petrobras transforma pré-sal em recordes, mas preço do diesel acende alerta

Pró-governo diz que Petrobras transforma pré-sal em recordes, mas preço do diesel acende alerta
A Petrobras chegou ao terceiro trimestre de 2026 produzindo mais — e pressionando quase todos os limites operacionais. A produção própria de óleo, líquidos de gás natural e gás alcançou 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia, alta de 11,7% sobre o mesmo período de 2025. Segundo a companhia, foi um “novo recorde”, impulsionado pelas plataformas P-78 e P-79, em Búzios, e pelo desempenho do FPSO Alexandre de Gusmão, em Mero.

O salto no pré-sal teve um paralelo nas refinarias. Operando com fator de utilização de 99%, a estatal produziu 769 mil barris de diesel por dia — 6,7% acima do terceiro trimestre anterior. As importações do combustível recuaram 8,8%, enquanto as vendas internas avançaram 4,9%. Em meio à guerra no Irã e à escalada internacional do petróleo, a estratégia reduz a exposição brasileira ao combustível importado.

Mas o retrato positivo da produção contrasta com a pressão sobre os preços. O diesel vendido pelas refinarias da Petrobras estava R$ 3,76 por litro abaixo do custo de importação calculado pela StoneX para a associação dos importadores. Nessa comparação, mesmo com a subvenção federal, a estatal absorveria uma diferença de R$ 0,24 por litro. Analistas do Itaú BBA advertiram que, mantida a defasagem, a Petrobras pode descumprir sua política de preços em 2026 e “precisaria fazer aumentos adicionais de preço”.

A compensação vem do exterior. As exportações de petróleo e derivados atingiram o recorde de 1,25 milhão de barris por dia, avanço de 21,1% em um ano; somente o petróleo respondeu por 987 mil barris diários, com 40% destinado à China. Assim, os mesmos números sustentam duas leituras: a Petrobras ampliou produção e segurança de abastecimento, mas terá de provar que consegue preservar essa estratégia sem transformar preços represados em perdas crescentes.

https://resumosbrasil.com/stories/01a18625-48c2-325b-7042-0e3fe6307695

Write a comment