Ajuda a Flávio coloca Milei contra a parede e aprofunda crise com o Brasil

Relatos de uma operação argentina para viabilizar a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA provocaram cobranças no Congresso e abalaram ainda mais a relação entre Milei e Lula.
Ajuda a Flávio coloca Milei contra a parede e aprofunda crise com o Brasil

Ajuda a Flávio coloca Milei contra a parede e aprofunda crise com o Brasil
Reportagens da imprensa argentina apontam que três braços do governo Javier Milei — a Secretaria de Inteligência, o Ministério da Segurança e a Chancelaria — participaram da logística que levou Flávio Bolsonaro e sua família de Puerto Iguazú aos Estados Unidos. A operação teria incluído escolta aeroportuária, acompanhamento da contratação de um avião privado e a disponibilização de um veículo diplomático, embora não haja confirmação de que ele tenha sido usado na travessia da fronteira.

A Casa Rosada não apresentou uma explicação detalhada. Um porta-voz, porém, admitiu cooperação com Washington: “Sim, houve colaboração com Trump”. Já Santiago Caputo, assessor próximo de Milei apontado como participante da operação, atacou a cobertura: “Disseram qualquer coisa”. Em contraste com as suspeitas políticas, a imigração argentina sustentou que a família apresentou documentos válidos e não tinha impedimentos registrados para entrar no país.

A reação mais dura veio do Congresso argentino. Deputados de diferentes blocos querem convocar o chefe de gabinete, Diego Santilli, a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, e o chanceler Pablo Quirno. Além de cobrarem esclarecimentos sobre eventual uso de recursos públicos, os parlamentares pedem que Milei reconheça formalmente a vitória de Lula e retome o diálogo bilateral “no mais alto nível”.

Em Brasília, auxiliares de Lula avaliam que o caso corrói a confiança restante entre os governos e torna “extremamente improvável” o retorno dos embaixadores às respectivas capitais. Flávio, por sua vez, agradeceu a Milei “pela coragem, senso de justiça e legalidade”.

A disputa também passa pela definição da viagem. Críticos a tratam como fuga após a ordem do STF para entrega dos passaportes; a Polícia Federal ressalta que a ida aos EUA, isoladamente, não configura fuga nem justifica prisão. Milei permanece em silêncio, enquanto aliados como Patricia Bullrich denunciam o que consideram uso político da Justiça brasileira.

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