Pró-governo diz que fala de vice da OAB-GO contra petistas exige resposta institucional
Pró-governo diz que fala de vice da OAB-GO contra petistas exige resposta institucional
O vice-presidente da OAB-GO, Thales Jayme, transformou uma postagem sobre eleitores do PT em uma crise política e institucional. Ao comentar uma foto de apoiadores de Lula celebrando o resultado eleitoral em Goiânia, escreveu que, se fossem colocados em um saco e jogados no rio, “o prejuízo seria a perda do saco”. Três dias depois, diante da repercussão, pediu “desculpas a toda a sociedade” e afirmou ser contrário a qualquer forma de violência.
Jayme sustenta que falou em caráter pessoal e que sua manifestação não representa a Ordem. A OAB-GO adotou argumento semelhante ao dizer que opiniões individuais de integrantes da gestão não devem ser confundidas com posições oficiais. Ao mesmo tempo, repudiou o conteúdo: “A OAB-GO é contrária a toda e qualquer forma de intolerância e hostilidade, venha de onde vier”. A nota também defendeu que divergências sejam debatidas “no campo das ideias, sem ofensas nem extremismos”.
A distância pública, porém, não encerrou o caso. A entidade não esclareceu se Jayme será alvo de processo disciplinar, embora seu Código de Ética permita a abertura de procedimento de ofício quando os fatos chegam por fonte considerada idônea. Assim, o pedido de desculpas e a nota de repúdio convergem na rejeição formal à violência, mas deixam sem resposta a principal cobrança: haverá consequência interna?
Para o PT, a retratação não basta. A presidente estadual da sigla e deputada federal eleita Adriana Accorsi anunciou que pretende incluir a declaração em uma denúncia judicial sobre episódios de violência contra petistas em Goiás. Delegada de polícia, ela respondeu diretamente: “Vem me jogar no saco e jogar no lixo. Aqui é polícia, estou te esperando”.
O contraste está posto: Jayme tenta circunscrever o episódio a uma opinião pessoal; a OAB-GO condena a intolerância sem anunciar punição; e o PT busca levar a controvérsia aos tribunais. A crise, portanto, já ultrapassou as redes sociais e passou a testar a reação de uma instituição ligada à defesa do Estado democrático de Direito.
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