Casa Branca recebe Flávio, mas não endossa sua reivindicação à Presidência

Flávio Bolsonaro trocou “presidente eleito” por “líder do Brasil” após provocar desconforto em Washington. Aliados dividem-se entre reafirmar sua liderança e admitir que a declaração foi um erro.
Casa Branca recebe Flávio, mas não endossa sua reivindicação à Presidência

Casa Branca recebe Flávio, mas não endossa sua reivindicação à Presidência
Flávio Bolsonaro desembarcou nos Estados Unidos disposto a contestar o resultado das urnas, mas precisou recalibrar a mensagem. Na primeira versão de uma carta publicada em 28 de outubro, apresentou-se como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Cerca de 22 minutos depois, a expressão foi substituída por “líder do Brasil”. O senador alega fraude na eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva e diz ter deixado o país por sofrer perseguição política.

Entre seus apoiadores, a mudança não desfez a reivindicação de liderança. Allan dos Santos afirmou que “Flávio é o legítimo líder do Brasil”, ecoando a formulação adotada na versão revisada do documento. A carta também promete organizar, a partir dos Estados Unidos, a oposição ao novo governo e mobilizar parlamentares, governadores e a base ligada à família Bolsonaro.

A leitura no campo governista é oposta: o recuo revelaria que acolhimento não significa reconhecimento político. Segundo reportagem sobre as conversas de bastidores, integrantes da administração Donald Trump consideraram inadequada a autodeclaração e buscaram evitar que a presença de Flávio comprometesse as relações diplomáticas com o governo Lula.

O próprio Trump manteve essa linha ambígua. Disse que autorizou a entrada do senador e considerou “muito injusto” o tratamento dado à família Bolsonaro, mas recusou-se a reconhecer sua pretensão: “Não vou me envolver”.

Mesmo dentro da oposição, houve ressalvas. Leandro Ruschel classificou a primeira redação como “um erro crasso” e avaliou que “melhor o recuo”, embora tenha reiterado considerar Flávio alvo de perseguição política. Assim, aliados e críticos concordam sobre um ponto: trocar duas palavras evitou ampliar o impasse. Divergem, porém, sobre o significado — correção estratégica para uns, sinal de isolamento para outros.

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