Ex-chefe do BRB atribui ordem a Ibaneis enquanto PF aponta perdas bilionárias
Ex-chefe do BRB atribui ordem a Ibaneis enquanto PF aponta perdas bilionárias
O depoimento de Paulo Henrique Costa colocou o Palácio do Buriti no centro político do caso Banco Master. À Polícia Federal, o ex-presidente do Banco de Brasília afirmou que Ibaneis Rocha pediu a estruturação de uma operação de venda do BRB ao banco controlado por Daniel Vorcaro.
Segundo Costa, a orientação surgiu durante um jantar na casa de Vorcaro, em 24 de setembro de 2024. Ele relatou ter sido convocado pelo gabinete do então governador quando estava na Bahia: “Tenho que voltar correndo. Eu tento fugir, e não dava pra fugir do jantar”.
A versão do ex-dirigente combina atribuição de responsabilidade política e tentativa de distanciamento pessoal. Costa disse ter ficado surpreso porque sempre defendera que a venda do BRB não fosse realizada “de jeito nenhum”. O material fornecido, porém, não apresenta uma manifestação de Ibaneis sobre a acusação.
A PF enquadra os fatos por outro ângulo: não apenas como uma decisão sobre o futuro do banco público, mas como parte de uma estrutura suspeita de obtenção de liquidez para o Master. Para os investigadores, Vorcaro ocupava “o centro decisório da estrutura examinada” e seria o principal beneficiário econômico das operações.
Esse contraste não retira Costa do alcance da investigação. Na véspera do depoimento, a PF indiciou o ex-presidente do BRB, Vorcaro e outras 13 pessoas por suspeitas de lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes de gestão fraudulenta.
Enquanto Costa aponta para uma ordem vinda do governo local, a PF destaca a engrenagem financeira e seus resultados. O prejuízo já formalizado e reconhecido, segundo a corporação, chega a aproximadamente R$ 2,7 bilhões — não seria “estimativa abstrata” nem risco eventual.
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