Trump acolhe Flávio, mas barra título de “presidente eleito”

A entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA não se converteu em reconhecimento político. Washington exigiu uma mudança na carta do senador para evitar um confronto diplomático com o governo Lula.
Trump acolhe Flávio, mas barra título de “presidente eleito”

Trump acolhe Flávio, mas barra título de “presidente eleito”
O governo dos Estados Unidos abriu as portas para Flávio Bolsonaro, mas fechou rapidamente uma porta política bem mais delicada. Segundo assessores do Departamento de Estado, Washington pediu que o senador retirasse de sua carta as expressões “verdadeiro presidente do Brasil” e “presidente eleito”, por receio de que fossem interpretadas como reconhecimento oficial.

A distinção americana é clara: acolher Flávio e sua família por razões humanitárias não significa endossar sua contestação do resultado eleitoral. Donald Trump manteve críticas à eleição e ao tratamento dado à família Bolsonaro, mas evitou assumir a reivindicação do senador. “Não vou me envolver”, declarou, ao ser questionado sobre a autoproclamação.

As diferentes coberturas convergem sobre o desconforto em Washington, mas divergem no grau de certeza sobre a intervenção. Uma reportagem afirma que não há confirmação de que Trump tenha determinado pessoalmente a mudança; o ponto seguro seria a resistência da administração americana a tratar Flávio como presidente de fato. Outra, citando integrantes do PL, sustenta que o pedido partiu do Departamento de Estado e chegou a Eduardo Bolsonaro, responsável por editar o documento.

A carta também passou por ajustes públicos. Paulo Figueiredo, aliado da família, apagou uma publicação e avisou que o texto continha “um erro que vai ser ajustado”. Na versão posterior, “presidente eleito” virou “líder do Brasil”.

Flávio manteve, porém, as acusações de fraude — apresentadas sem provas — e anunciou que pretende comandar a oposição a partir dos Estados Unidos. O resultado oficial deu vitória a Lula por mais de 4,4 milhões de votos; o TSE afirmou que não houve irregularidades capazes de comprometer a eleição. Assim, o episódio expõe o limite do apoio de Trump: proteção e simpatia política, sim; reconhecimento de um governo paralelo, não.

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