Trump abriu a porta para Flávio, mas o pagador do jatinho continua oculto

Relatos convergem sobre o apoio de Trump e a atuação de Jason Miller na viagem de Flávio Bolsonaro. O rastro financeiro, porém, termina em um intermediário não identificado nos Estados Unidos.
Trump abriu a porta para Flávio, mas o pagador do jatinho continua oculto

Trump abriu a porta para Flávio, mas o pagador do jatinho continua oculto
A principal diferença entre as coberturas não está nos fatos conhecidos, mas na ênfase. Veículos de oposição destacam uma operação com participação direta do governo americano: Donald Trump teria autorizado pessoalmente a entrada de Flávio Bolsonaro, enquanto Jason Miller, funcionário especial da Casa Branca e aliado da família, teria providenciado o jatinho.

O próprio Trump confirmou a autorização migratória, mas tentou estabelecer distância: “Demos a ele autorização para entrar no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver”. Flávio e seus familiares receberam uma permissão temporária de permanência, válida por um ano — não asilo ou residência definitiva.

Já a cobertura pró-governo concentra-se no histórico de Miller e na ambiguidade de sua atuação. Próximo dos Bolsonaros e integrante do círculo de confiança de Trump, ele já havia declarado: “Estou aqui para apoiar meus amigos. Eu apoio Flávio”. Ainda não está claro, porém, se organizou a aeronave como aliado político ou no exercício de uma função oficial.

No ponto mais sensível, os relatos convergem: ninguém revelou quem bancou a viagem. Luis Grande, proprietário da Baires Fly, afirmou ter sido contratado por um corretor de aviação radicado nos Estados Unidos. “Fui contratado por um broker que conheço há dez anos”, disse. Segundo ele, US$ 150 mil foram transferidos de uma conta americana para um banco argentino, mas o cliente final não foi identificado. Uma publicação do campo pró-governo reproduziu a mesma versão sobre o intermediário e o pagamento feito a partir dos EUA.

Nas redes, a narrativa ganhou formulação mais contundente: “Trump e Casa Branca ajudaram Flávio Bolsonaro a fugir para os EUA”. A frase resume a leitura política mais dura, mas vai além do que o rastro financeiro permite provar. Até agora, há nomes ligados à logística e à autorização de entrada — não o nome do financiador.

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