Pró-governo diz que confissão sobre álcool ajudou a selar condenação de Fernando Sastre

O júri acolheu a tese de que Sastre assumiu o risco de matar ao dirigir alcoolizado e em alta velocidade. A defesa admitiu imprudência, mas contestou o dolo e apontou uma possível falha no Porsche.
Pró-governo diz que confissão sobre álcool ajudou a selar condenação de Fernando Sastre

Pró-governo diz que confissão sobre álcool ajudou a selar condenação de Fernando Sastre
Fernando Sastre foi condenado a 17 anos, um mês e dez dias de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana e pela lesão gravíssima sofrida pelo passageiro do Porsche. O júri também determinou sua inabilitação para dirigir.

Para o Ministério Público de São Paulo, o ponto central foi a combinação de embriaguez e velocidade. A acusação sustentou que Sastre assumiu o risco de matar ao conduzir o Porsche 911 antes de atingir a traseira do Renault Sandero de Ornaldo. A perícia oficial calculou 156 km/h em uma via limitada a 50 km/h; um relatório encomendado à Porsche estimou pelo menos 136 km/h.

Durante o julgamento, Sastre admitiu pela primeira vez ter ingerido bebidas alcoólicas antes da colisão. Testemunhas reforçaram a narrativa da acusação: uma delas disse que o esportivo passou “voado”, enquanto o passageiro e outra integrante do grupo relataram consumo de drinks antes de Sastre assumir o volante.

A defesa apresentou uma leitura diferente. Pediu que o caso fosse tratado como homicídio culposo, sem intenção de matar, e reconheceu que o empresário foi imprudente ao beber, dirigir e trafegar em alta velocidade. Também levou ao júri um perito particular, segundo o qual o automóvel apresentava “códigos de falhas” e uma avaria na câmera do sistema de alerta de colisão.

Os jurados, porém, acolheram a tese do dolo eventual e a qualificadora de perigo comum. Para a família de Ornaldo, a decisão trouxe alívio após quase dois anos de sofrimento emocional e dificuldades financeiras. Lucas Silva, filho da vítima, relatou que os parentes dependeram de doações de alimentos e ainda enfrentam cobranças ligadas ao carro destruído.

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