Celular de Vorcaro vira campo de batalha entre suspeitas da defesa e explicações técnicas

A defesa aponta arquivos alterados e falhas na cadeia de custódia, mas outra análise atribui os registros ao funcionamento automático do iPhone. A PF afirma que preserva o material original.
Celular de Vorcaro vira campo de batalha entre suspeitas da defesa e explicações técnicas

Celular de Vorcaro vira campo de batalha entre suspeitas da defesa e explicações técnicas
A defesa de Daniel Vorcaro levou ao Supremo Tribunal Federal um parecer que lança dúvidas sobre a principal prova digital da Operação Compliance Zero. Segundo os advogados, o iPhone registrou 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal e três conexões USB durante a madrugada em que já estava sob custódia da Polícia Federal. Também teriam sido criados 436 arquivos e modificados outros 657. O argumento central é que, sem os dados brutos, os códigos de verificação e a identificação de quem manuseou o aparelho, não há como realizar uma auditoria independente. O teste apresentado pela defesa, porém, não demonstra que as conversas tenham sido adulteradas.

Uma análise técnica dos dados oferece uma leitura bem menos explosiva. Os eventos de tela teriam sido gerados em apenas 52 ocasiões, enquanto as ativações da câmera estariam ligadas ao Face ID — sem qualquer desbloqueio bem-sucedido. As conexões USB aparecem como carregamento da bateria, e as 94 supostas novas imagens seriam elementos gráficos usados pelo iOS para criar efeitos no papel de parede. O próprio parecer da defesa reconhece que os registros “não permitem determinar quem operou o dispositivo” nem comprovam intervenção humana.

A divergência não elimina as lacunas documentais apontadas pelos advogados. Eles citam ausência de número de série, IMEI e informações sobre lacres, além da falta de detalhes sobre a ferramenta de extração. Em sentido contrário, a PF já declarou que mantém o material original, com cadeia de custódia formal, lacres preservados e mecanismos de verificação de integridade.

Há ainda uma consequência política potencial. Outra reportagem relaciona a contestação a 52 mensagens que Vorcaro teria enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que nega ter recebido as comunicações. Nessa interpretação, uma eventual invalidação do celular poderia retirar valor jurídico desses registros e favorecer o ministro. Por enquanto, contudo, há suspeitas levantadas pela defesa — não prova de manipulação.

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