Itamaraty cobra respostas sobre Flávio, mas Milei diz que convocação nunca existiu
Itamaraty cobra respostas sobre Flávio, mas Milei diz que convocação nunca existiu
O Itamaraty pediu informações sobre a passagem de Flávio Bolsonaro pela Argentina antes de sua viagem aos Estados Unidos, mas adotou um tom calculadamente discreto. Segundo relatos diplomáticos, a conversa com a encarregada de negócios María Emilia Cortés durou poucos minutos, teve caráter protocolar e não buscou repreender Buenos Aires. A prioridade do governo Lula seria preservar os canais institucionais e evitar outro confronto com Milei.
A cautela contrasta com a gravidade das suspeitas. Flávio e sua família atravessaram a fronteira em Puerto Iguazú e embarcaram pouco depois em um avião particular, com escala no Equador. A Direção Nacional de Migrações argentina afirmou que todos apresentaram documentação válida e não tinham impedimento legal para entrar no país. No Brasil, porém, a viagem ocorreu após uma ordem do STF para entrega dos passaportes e proibição de saída.
Reportagens brasileiras apontaram possível participação de Santiago Caputo, assessor próximo de Milei, na organização do trajeto. Ainda assim, fontes ouvidas sobre a reunião disseram que o Planalto não pretende transformar o episódio em confronto político e optou por um procedimento diplomático “sem alarde”.
Na Argentina, a oposição adotou postura oposta: quer elevar a pressão. Parlamentares pediram explicações ao gabinete de Milei, enquanto uma juíza determinou a preservação de imagens da ponte internacional, da imigração e do aeroporto. “Bolsonaro fugiu. Milei o ajudou”, acusou o deputado peronista Agustín Rossi, ao anunciar um pedido de interpelação.
A Casa Rosada, por sua vez, nega tanto irregularidades quanto a própria cobrança brasileira. Milei acusou o jornal Clarín de mentir, e o chanceler Pablo Quirno declarou: “Não houve nenhum pedido de informação”. O chefe de gabinete Diego Santilli sustentou que Flávio “não tinha nenhum impedimento” nem alerta da Interpol.
Assim, Brasília tenta baixar a temperatura enquanto Buenos Aires rejeita a premissa da cobrança. O ponto comum é estreito: a passagem ocorreu formalmente pelos controles migratórios. Todo o resto — sobretudo uma possível ajuda política — permanece em disputa.
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