Lula dobra a aposta em Messias, mas aprovação no STF passa por antigo adversário

Após a primeira derrota no Senado, Lula pretende reapresentar Jorge Messias em 2027. A virada depende de Davi Alcolumbre, apontado como responsável pelo revés anterior e agora novamente próximo do Planalto.
Lula dobra a aposta em Messias, mas aprovação no STF passa por antigo adversário

Lula dobra a aposta em Messias, mas aprovação no STF passa por antigo adversário
Lula decidiu sustentar Jorge Messias como seu candidato ao Supremo Tribunal Federal, mesmo após a rejeição do Senado e a preferência de ministros da Corte por Rodrigo Pacheco. Na leitura pró-governo, recuar significaria abrir mão de uma atribuição constitucional do presidente diante da pressão de outros Poderes. Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes estariam entre os defensores de Pacheco.

Essa versão apresenta Lula como alguém disposto a preservar sua escolha. A cobertura de oposição, porém, desloca o foco para a engenharia política necessária para ressuscitá-la. Davi Alcolumbre, apontado como principal responsável pela primeira derrota de Messias, agora poderá atuar pela aprovação — enquanto busca o apoio do PT para permanecer na presidência do Senado em 2027.

A mudança expõe uma convergência pragmática. Lula precisa do Congresso para avançar as prioridades de seu quarto mandato; Alcolumbre precisa construir sustentação para sua própria reeleição. No meio está Messias, cuja indicação recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários em abril de 2026, apesar da aprovação anterior na Comissão de Constituição e Justiça.

O presidente já havia sinalizado que não tratava o resultado como definitivo. “Portanto, eu vou indicar o Messias outra vez”, declarou, atribuindo a rejeição a razões políticas, e não à qualificação jurídica do advogado-geral da União.

As duas leituras convergem num ponto: a vontade presidencial, sozinha, não basta. Messias precisará passar por nova sabatina e alcançar pelo menos 41 votos no plenário. Como o regimento impede a reapresentação na mesma sessão legislativa, a nova tentativa só poderá ocorrer a partir de 2027. O apoio de Alcolumbre muda o tabuleiro, mas não garante o resultado — sobretudo numa Casa que já impôs ao Planalto a primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894.

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