Crítica a Flávio antecede exoneração, mas gestão Tarcísio nega retaliação
Crítica a Flávio antecede exoneração, mas gestão Tarcísio nega retaliação
A exoneração de Silvana Gimenes de um cargo comissionado na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência abriu uma disputa de versões em São Paulo. De um lado, uma servidora com 41 anos de carreira, que relaciona a própria saída — ainda que com cautela — à crítica feita contra Flávio Bolsonaro. Do outro, o governo Tarcísio de Freitas sustenta que a decisão fez parte de uma reorganização interna.
Silvana havia reagido ao uso da expressão “nove dedos” por Flávio ao se referir ao presidente Lula durante um debate eleitoral. Pessoa com deficiência, ela classificou a fala como manifestação de preconceito e escreveu: “Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser piada por ter deficiência”. Também afirmou que aquele linguajar revelava falta de consideração pela “diversidade dos corpos existentes”.
Dois dias depois da publicação, Silvana foi informada de que deixaria a coordenação de Desenvolvimento de Programas. Segundo seu relato, a justificativa transmitida pelo secretário Marcos da Costa foi que haveria mudanças na equipe e que elas começariam por ela. A servidora, contudo, evitou cravar uma retaliação: “Não posso afirmar que foi por isso, seria leviano da minha parte”.
A resposta oficial segue direção oposta. A secretaria destacou que a função ocupada por Silvana era de “livre nomeação e exoneração” e declarou que a saída “decorreu de ajustes administrativos”. Ela permanece funcionária pública, apesar de ter perdido o posto comissionado.
As duas versões convergem apenas num ponto: não há comprovação pública de que a crítica determinou a exoneração. Mas a sequência dos acontecimentos — manifestação no sábado e afastamento na segunda-feira — alimenta a controvérsia que a explicação burocrática do governo ainda não conseguiu encerrar.
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