Desemprego cai a 5,2%, mas milhões ainda buscam mais trabalho
Desemprego cai a 5,2%, mas milhões ainda buscam mais trabalho
O mercado de trabalho brasileiro encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um número de impacto: desemprego de 5,2%, o menor patamar para o período desde 2012. A população ocupada chegou ao recorde de 103,6 milhões, enquanto o total de desocupados recuou para 5,6 milhões — 234 mil a menos do que no trimestre anterior.
A fotografia positiva ganha força com outros máximos históricos. O país alcançou 39,4 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado, 4,5 milhões de empregadores e 13,2 milhões de trabalhadores no setor público. Ainda assim, o emprego formal privado ficou estável nas comparações trimestral e anual. O avanço geral também foi mais moderado do que o esperado para o período. “Alguns tomadores de decisão podem ter esperado um pouco mais”, afirmou o analista do IBGE William Kratochwill, citando as incertezas eleitorais.
A leitura crítica começa justamente onde a taxa oficial termina. Cerca de 4,3 milhões de brasileiros estavam subocupados — trabalhavam menos horas do que gostariam e poderiam assumir mais serviço. Esse contingente cresceu 5,2% no trimestre, com a entrada de 214 mil pessoas, embora tenha caído 5,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Também aumentou o número de desalentados: 2,5 milhões de pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram vaga por acreditar que não conseguiriam. Como elas ficam fora da força de trabalho, não entram na taxa oficial. Se fossem incorporadas ao cálculo do desemprego, o indicador subiria de 5,2% para 7,2%.
As duas perspectivas não se anulam: houve expansão da ocupação e redução do desemprego, mas a recuperação permanece desigual. O recorde mostra um mercado aquecido; a subocupação e o desalento revelam seus limites.
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