Flávio contesta as urnas sem provas e mira nova eleição antes de 2030
Flávio contesta as urnas sem provas e mira nova eleição antes de 2030
Em sua primeira transmissão após deixar o Brasil, Flávio Bolsonaro combinou três movimentos: contestou a derrota para Lula, defendeu sua viagem aos Estados Unidos e tentou projetar-se como líder da oposição. “Não concordo com o resultado das eleições”, afirmou, acusando o adversário de marcar “gols de mão” e atuar fora da legislação eleitoral.
O senador também vinculou o futuro do governo à economia. Segundo ele, o cenário seria pior que o enfrentado por Dilma Rousseff e poderia derrubar Lula antes do fim do mandato. Ao agradecer os quase 60 milhões de votos recebidos, sinalizou outra candidatura: “Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso”.
A ofensiva, porém, esbarra nos resultados reconhecidos pela Justiça Eleitoral. Lula venceu com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio. A avaliação crítica é que o senador insinuou fraude sem apresentar evidências e misturou duas teses distintas: uma ação por abuso de poder — que pode seguir pelas vias judiciais — e suspeitas genéricas sobre a contagem dos votos.
A divergência alcança o próprio campo oposicionista. Rogério Marinho, aliado escolhido por Flávio para disputar a presidência do Senado, reconheceu que o PL não possui provas de fraude. Dados do TSE também mostram que apenas 34.393 votos foram registrados após as 17h, menos de 1% da vantagem de 4,43 milhões obtida por Lula.
Flávio, por sua vez, diz que não abandonou o país — “Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil” — e aponta o Congresso, sobretudo o Senado, como a nova “trincheira” contra o governo. Entre apoiadores, a viagem foi descrita nas redes como “exílio político”, reforçando a narrativa de perseguição adotada pelo senador. Para seus críticos, contudo, a live não resolveu a questão central: as acusações eleitorais continuam sem comprovação.
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