Pró-governo diz que baixa adesão à carta de Flávio expõe racha no PL

A maioria dos eleitos do PL evitou apoiar a contestação de Flávio Bolsonaro, mas tampouco reconheceu publicamente a vitória de Lula. A direção partidária tenta trocar o confronto eleitoral pela oposição no Congresso.
Pró-governo diz que baixa adesão à carta de Flávio expõe racha no PL

Pró-governo diz que baixa adesão à carta de Flávio expõe racha no PL
A carta em que Flávio Bolsonaro contesta a eleição presidencial não virou posição oficial do PL. Dos 155 deputados, senadores e governadores eleitos pela legenda, 117 — ou 75% — não compartilharam nem defenderam o documento; apenas 38 aderiram. Ao mesmo tempo, 86% não reconheceram publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, sinal de que o afastamento da carta não equivale necessariamente à aceitação explícita do resultado.

Essa ambiguidade divide o partido em três campos. Flávio e aliados como Magno Malta, Jorge Seif, Gustavo Gayer, José Medeiros e Nikolas Ferreira sustentam a contestação, embora não tenham apresentado provas de fraude. Magda Mofatto afirmou que a carta “estará nos livros de história”, enquanto Nikolas reconheceu o limite da ofensiva: “a chance de anular é praticamente nula, então temos que seguir”.

Na direção oposta, nomes como Marcio Bittar, André Fernandes, Major Vitor Hugo e Rosangela Moro reconheceram o resultado. Vitor Hugo destacou a diferença de 4,4 milhões de votos e o aval das instituições: “É muito difícil haver uma reversão deste resultado”. Fernandes também recusou uma nova batalha contra as urnas: “O resultado foi esse. Eu não vou aqui falar sobre urna, golpe”.

Entre os dois polos está a maior fatia da legenda: parlamentares que não endossaram Flávio, mas preferiram o silêncio sobre Lula. Essa cautela coincide com a estratégia da direção nacional. Valdemar Costa Neto disse que a carta não foi aprovada pelo partido, enquanto dirigentes temem que acusações sem evidências prejudiquem alianças, provoquem reações institucionais e desviem o foco da oposição no Congresso.

Flávio, porém, busca ampliar sua articulação fora do país. Após chegar aos Estados Unidos, planeja contatos em Washington com integrantes do governo Donald Trump. O contraste é direto: enquanto o senador procura respaldo internacional para manter a disputa aberta, o comando do PL tenta transformar a derrota eleitoral em força parlamentar.

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