Pró-governo diz que PSD só aprofundará relação com Lula se houver equilíbrio fiscal
Pró-governo diz que PSD só aprofundará relação com Lula se houver equilíbrio fiscal
O PSD saiu das eleições em posição ambígua: perdeu espaço no Congresso, mas preservou canais com o Planalto ao permanecer neutro no segundo turno. Agora, enquanto Lula procura reforçar sua sustentação política, Gilberto Kassab transforma essa abertura em poder de negociação. “O governo já nos procurou desta vez, sim”, confirmou o presidente da legenda. A resposta, porém, não é um cheque em branco: o dirigente cobra uma equipe econômica capaz de oferecer “tranquilidade e equilíbrio fiscal” e afirma que, se essas medidas forem adotadas, os dois lados poderão construir “uma relação mais profunda”.
De um lado, o governo tenta atrair uma sigla que já ocupou três ministérios — Agricultura, Minas e Energia e Pesca — sem integrar formalmente a base. Do outro, Kassab sinaliza disposição para negociar, mas lembra que o PSD reúne diretórios de orientações distintas. Por isso, sustenta que Lula terá de dialogar com o centro sem abandonar os compromissos sociais assumidos na campanha. A neutralidade do partido contrasta com o apoio de União Brasil, PP, Republicanos e MDB a Flávio Bolsonaro no segundo turno, o que deixou o PSD em situação mais confortável para conversar com o vencedor.
A aproximação também tem limites pessoais e partidários. Kassab diz não trabalhar para assumir um ministério, embora não descarte a possibilidade. Ao mesmo tempo, o desempenho eleitoral recomenda cautela: o PSD elegeu cinco governadores, mas caiu de 13 para cinco senadores e de 48 para 43 deputados federais.
O ponto de convergência está na governabilidade; a divergência, no preço político e econômico da adesão. Lula quer uma base maior. Kassab oferece diálogo, não alinhamento automático — e coloca a política fiscal e a interlocução com o centro como testes decisivos.
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